Irã vê tensão escalar com pressão e ameaças crescentes de Trump por acordo nuclear
No contexto de conflitos regionais, Israel anunciou a reabertura na passagem de Rafah, entre Gaza e Egito, possibilitando a volta de cerca de 70 mil palestinos

O regime iraniano enfrenta o desgaste de protestos populares e uma economia asfixiada por sanções históricas. Diante de novas ameaças de Trump, o país reage com manobras militares no Estreito de Ormuz, elevando a tensão no tabuleiro geopolítico global.
Em clima de tensão desde o ano passado, a região é palco de um novo capítulo: Trump disse que a paciência está se esgotando e que é preciso negociar para tratar sobre o acordo nuclear. O discurso do presidente americano tem sido o de aniquilar a possibilidade de o Irã desenvolver armamento nuclear, pois consolidaria o país como grande inimigo dos Estados Unidos e de seu principal aliado, Israel.
Vimos uma série de protestos tomarem as ruas do Irã em 2025, revelando uma população cansada de um regime extremamente autoritário, que não concede direitos e liberdades. O país está sob sanções há muitas décadas –mais precisamente desde que a Revolução de 1979 o transformou em uma teocracia comandada pelos aiatolás. Mais recentemente, pesou o fato de seus principais aliados terem debandado, a exemplo da Rússia, envolvida em outra guerra.
Trump se vale, portanto, desse cenário fragilizado para testá-los. Embora afirme estar movendo o aparato militar, muitos analistas leem isso como uma questão retórica, a de que ele estaria tentando chamar a população às ruas para reforçar o fato de que os protestos deram uma arrefecida, buscando legitimidade para uma eventual ação. O que Trump quer é acabar com o regime dos aiatolás.
Do outro lado, o Irã reage com o anúncio de manobras com munição real no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido diariamente no mundo. Se houver bloqueio, a tensão é gerar um apagão no abastecimento de energia em todo o mundo.
Muitas vezes, essa é uma demonstração de força que na linguagem militar chama-se de deterrence, uma dissuasão: mostra ao inimigo que, se ele atacar, haverá força para o revide. Neste contexto, o Irã tem a capacidade de fazer um estrago na região, mas também está enfraquecido e vive sob um regime opaco, em que é difícil medir sua real força para segurar uma guerra. Diferentemente da Venezuela, o país possui um território muito mais difícil de penetrar, e o regime tem recrudescido cada vez que o Ocidente tenta uma intervenção. No fim, não há saída fácil, e o custo de um conflito seria altíssimo para todos os envolvidos.
Reabertura em Rafah e a volta de 70 mil palestinos
No contexto dos conflitos regionais, uma atualização relevante: o governo israelense anunciou que a passagem de Rafah, que conecta a Faixa de Gaza ao Egito, será reaberta neste domingo, dia 1º de fevereiro, nas duas direções. “O retorno de moradores do Egito para a Faixa de Gaza será permitido, em coordenação com o Egito, apenas para residentes que deixaram Gaza durante o curso da guerra, e somente após autorização prévia de segurança por Israel”, traz o comunicado da agência responsável por coordenar a política civil em Gaza, o COGAT.

Cerca de 70 mil habitantes de Gaza já aplicaram para voltar para casa, embora a destruição no território gere incertezas sobre como será essa reconstrução. O gesto sinaliza que, após muita pressão, Israel começa a ceder em pontos específicos do acordo de paz.
Assista à íntegra do comentário de Talita Fernandes ao Matinal desta sexta (29):