Reportagem

Investigados por atos golpistas e desinformação continuam ativos nas redes, mostra Pública

Mesmo após decisões judiciais e inquéritos, influenciadores encontram brechas para espalhar desinformação sobre o sistema eleitoral

21/08/2026 às 16:16 · Atualizado há 19 horas
Discord e ECA Digitaldesinformação
Discord e ECA Digital: como proteger os jovens dos perigos das redes sociais (Foto Pexels)

Mesmo sob a mira de investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo menos dez influenciadores digitais continuam ativos na propagação de desinformação nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026. É o que diz uma investigação das repórteres Ethel Rudnitzki e Aline Melo, da Agência Pública. A apuração revela que esses alvos de inquéritos passados utilizam novas páginas e perfis para disseminar deepfakes, a partir de brechas em ordens judiciais e operando de fora do Brasil.

A reportagem é fruto do Laboratório de Investigação Eleitoral (LIE), coalizão que inclui Amado Mundo, Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo. O projeto se dedica a investigar campanhas de desinformação no pleito de 2026.

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Foragidos comandam redes de desinformação do exterior

A atuação a partir de outros países é considerada um dos principais obstáculos para a Justiça brasileira. Entre os casos de destaque está o de Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio (primo de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro). Alvo de inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado em 2026 e com prisão decretada desde 2025, ele administra perfis a partir de Puerto Iguazú, na Argentina. Léo Índio publica conteúdos políticos manipulados por inteligência artificial, incluindo deepfakes que atacam o presidente Lula e outros adversários políticos. Suas postagens são replicadas por uma rede de 31 páginas com mais de 1,4 milhão de seguidores.

Outro nome que continua ativo no exterior é o blogueiro Allan dos Santos, foragido nos Estados Unidos desde 2021. Apesar do bloqueio das contas bancárias e de perfis digitais no Brasil, ele realiza transmissões diárias em colaboração com Alexandre Ramagem (ex-chefe da Abin, condenado a 16 anos) e divulga acusações falsas contra as urnas eletrônicas.

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Discurso antidemocrático ganha força com os investigados

A persistência dessas narrativas não se limita ao exterior. No Brasil, figuras como Fernando Lisboa da Conceição (do canal Vlog do Lisboa), oficializado como candidato a deputado estadual pelo PL de São Paulo, continuam usando o YouTube para insinuar a necessidade de intervenção internacional no país.

Outros nomes emblemáticos, como Bárbara Zambaldi Destefani (do canal Te Atualizei) e Enzo Leonardo Suzi Momenti (Enzuh), mantêm uma frequência de publicações que contêm teorias conspiratórias sobre o 8 de Janeiro e ataques diretos ao STF .

Nota de crédito: Esse texto foi escrito com base na reportagem investigativa original “Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026”, publicada em 19 de agosto de 2026, com autoria de Ethel Rudnitzki e Aline Melo e edição de Natalia Viana e Alexandre Orrico. Para ler a investigação completa e detalhada, acesse o artigo original diretamente no site da Agência Pública.

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