Investigação no RJ sobre banco tem como vítima espólio de empresário citado no caso Marielle
Investigação da Polícia Civil do RJ apontou espólio de Pasquale Mauro como vítima de organização criminosa que tentava ressuscitar banco

ATENÇÃO: Essa reportagem passou por uma correção. Entenda ao fim do texto.
Alvo na sexta-feira, 26, de uma operação da Polícia Civil do RJ contra uma fraude de R$ 2,5 bilhões, o Banco de Crédito Móvel serviu para que a PF mapeasse a ligação dos irmãos Brazão com o empresário Pasquale Mauro (1927-2016), apontado no inquérito da morte de Marielle Franco como um dos maiores grileiros da história do Rio de Janeiro. O Banco de Crédito Móvel foi extinto em 1964 e, segundo a operação da Polícia Civil do RJ, era objeto de uma tentativa de fraude, em que uma organização criminosa tentava reativar o banco, visando dar um golpe no espólio de Pasquale Mauro e em outros detentores de precatórios. Os herdeiros detêm um precatório de R$ 2,5 bilhões, que, segundo a investigação estadual, era um dos interesses dos supostos fraudadores ao tentar reativar o finado banco.
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A ação atual da Polícia Civil mostra que os fraudadores tentavam ressuscitar a instituição na Junta Comercial do estado não para validar novas terras, mas para aplicar um golpe contra o espólio de Pasquale Mauro.
Curiosamente, o banco foi importante na investigação da morte e Marielle para que a PF estabelecesse o histórico fundiário em torno das terras em disputa e que foram a razão para que o assassinato de Marielle fosse encomendado.
Os dados da investigação da morte de Marielle indicaram que os ex-deputados Domingos e Chiquinho Brazão, hoje presos, operavam para legalizar as terras que passaram por processo de grilagem. A investigação da PF apontou que a objeção da vereadora contra esquemas de grilagem na Zona Oeste foi o motivo para os políticos encomendarem sua morte, com o objetivo de interromper a atuação dela contra a regularização dessas áreas de interesse do grupo.
Em nota enviada à coluna, os representantes do Espólio de Pasquale Mauro contestaram as imputações da PF ao proprietário de terras, afirmando que a acusação de grilagem “não se sustenta juridicamente” por falta de condenações judiciais e que seus imóveis ficam em áreas distintas das regiões controladas por milícias.
O relatório final do inquérito afirmou que os irmãos Brazão operavam nas casas legislativas para prestar apoio político e até homenagear o empresário. Em 2003, Domingos Brazão foi o autor da concessão a Pasquale Mauro da Medalha Tiradentes, a maior honraria da Alerj.
Consta da investigação do caso Marielle um documento do Serviço Nacional de Informações (SNI), datado de 1979, apontando que o Banco de Crédito Móvel já era uma “sociedade inexistente” que usava “escritos forjados” para simular um capital social composto por terras fictícias entre a Barra da Tijuca e Guaratiba, bairros que compunham a antiga Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A defesa do empresário também criticou o uso do relatório do SNI da Ditadura Militar, o classificando como “desprovido de elementos comprobatórios”, e alegou que o inquérito da PF se baseia em “elementos frágeis” ao tentar ligar Mauro ao caso através da medalha dada em 2003 e de uma ação de usucapião de 2017.
O espólio rechaçou à coluna qualquer associação entre Pasqual Mauro e a morte de Marielle Fraco. “As associações do empresário Pasquale Mauro ao caso da vereadora Marielle Franco e à reativação fraudulenta do Banco de Crédito Móvel são especialmente irresponsáveis e indevidas. Pasquale morreu em 2016, enquanto a vereadora foi assassinada em 2018”, afirmou a assessoria de imprensa do espólio, em nota à coluna.
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(Correção 1/07, às 15h15: A primeira versão desta reportagem afirmava que o empresário Pasquale Mauro era o operador oculto da fraude atual envolvendo o BCM e indiciado na operação recente da Polícia Civil. No entanto, os representantes legais do Espólio de Pasquale Mauro entraram em contato com a coluna e observaram que o espólio é, na verdade, vítima da tentativa de estelionato. De fato, é desta maneira que os autos da Polícia Civil tratam o espólio. Conforme aponta a decisão judicial do caso, os investigados tentaram reativar fraudulentamente a instituição financeira extinta para se apropriar de um precatório judicial pertencente ao próprio espólio. O empresário faleceu em 2016 e não figura entre os alvos da investigação atual. O texto e o título foram corrigidos.)