Independentes de Lula e Flávio decidirão as eleições: veja onde eles estão
Dados da Quaest revelam cenário de forte calcificação de votos e apontam que os eleitores sem alinhamento automático definirão o pleito de 2026

O mapa das intenções de voto para o primeiro turno de 2026 levantado pela Quaest revela um Brasil dividido em três frentes principais.
De um lado, o presidente Lula lidera em dez estados, dominando todo o Nordeste e o Amapá, enquanto Flávio Bolsonaro está à frente em oito, incluindo Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima.

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Independentes x calcificação de votos
O grande campo de batalha repousa sobre os nove estados que se encontram empatados na margem de erro: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará, Tocantins, Goiás, Espírito Santo e o Distrito Federal.
Os três primeiros, SP, MG e RS, são um grupo decisivo, que abriga os maiores colégios eleitorais do país.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, essa nítida divisão espelha a “calcificação” em números do eleitorado brasileiro. Os dados mostram que o voto de Lula hoje é quase uma cópia de seus resultados na eleição passada, apresentando uma correlação de 0,98 em relação ao pleito de 2022.
O mesmo fenômeno se repete no campo conservador: a intenção de voto em Flávio Bolsonaro tem uma correlação de 0,95 com os votos obtidos por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022.
“Trocou o nome, o eleitorado ficou”, afirmou Felipe Nunes, numa publicação no Instagram.

Ao detalhar as variações de desempenho, o levantamento aponta que Lula aprofunda seus votos exatamente onde já era forte. O petista registra crescimento no Nordeste, com saltos no Maranhão (+7 pontos percentuais), na Bahia (+6) e na Paraíba e Sergipe (+4 cada). Fora dessa região, com exceção do Amapá (+6), quase nada muda no cenário do atual presidente em comparação com 2022.
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Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta dinâmicas regionais próprias ao melhorar seus números no Norte e no Centro-Oeste, com destaques para Rondônia (+6), Mato Grosso (+5) e Pará (+4), além de um avanço na Bahia (+5). Contudo, o senador perde terreno justamente nos estados onde a direita possui alternativas. Quedas significativas são observadas no Distrito Federal (-8) e em Goiás (-6, estado governado por Ronaldo Caiado), além de recuos de 3 pontos no Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
Diante desse cenário de bases eleitorais fortemente cristalizadas, Nunes conclui que o jogo eleitoral está nos eleitores independentes. Esse grupo representa de 24% a 36% do eleitorado, dependendo do estado. É nesse público que, segundo ele, as campanhas precisarão concentrar esforços, especialmente onde os independentes atingem seus maiores picos, como no Rio de Janeiro (36%), no Amazonas (35%) e no trio formado por Tocantins, Rio Grande do Sul e Goiás (33%).