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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

Gigante francesa, Imerys recebe aval para assumir controle de mineradora brasileira

Transação travada desde o ano passado entre Imerys e mineradora brasileira foi liberada de forma definitiva

por Gustavo Silva
Publicado em 02/06/2026 às 09:00

Chegou ao fim a novela da compra bilionária da brasileira SB Mineração pela gigante francesa Imerys. Alexandre Barreto de Souza, superintendente-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), assinou o despacho que dá o aval definitivo para o negócio — e sem nenhuma amarra regulatória.

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A transação vinha sendo analisada pelo órgão antitruste desde dezembro de 2025 e chegou a ser carimbada como “complexa”. O Cade havia colocado o pé atrás quando grandes empresas indicadas pelas compradoras como concorrentes, como CSN, Ical, Cazanga e Lapa Vermelha, informaram que sequer fabricavam o carbonato de cálcio moído (GCC), insumo essencial para os setores de tintas e plásticos. Diante do temor inicial de um supermonopólio, a Imerys reagiu rápido e alegou que a conta do governo estava restritiva demais, ignorando os rivais reais do setor.

A estratégia de defesa colou e a Superintendência-Geral foi a campo. Após duas rodadas de consultas com o mercado, a autarquia constatou que os concorrentes têm fôlego de sobra para segurar os preços se a nova gigante tentar pesar a mão. No mercado de carbonato grosso, por exemplo, o volume adicional que os rivais conseguem colocar no mercado hoje é maior do que tudo o que Imerys e SB vendem juntas. Para completar, a maioria dos clientes industriais avisou formalmente que muda de fornecedor se o preço subir. O fantasma do bloqueio de matéria-prima também sumiu, já que os concorrentes possuem minas próprias ou compram o calcário bruto direto do polo de Cachoeiro de Itapemirim (ES).

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Embora entrar nesse jogo exija bolso — o Cade calculou que o investimento para abrir uma unidade varia de R$ 4,5 milhões para o tipo granulado a R$ 27,1 milhões para o tipo fino —, o mercado doméstico se movimentou. Nos últimos cinco anos, três novas concorrentes entraram na disputa do produto fino: Ouro Branco, Innovacarb e Ultra Minérios. Como o produto importado não tem força por aqui devido ao alto custo do frete, o foco ficou mesmo na disputa interna, considerada competitiva o suficiente para o ato final que sacramentou a fusão. Negócio fechado.

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