iFood entra na mira da Keeta após as travas da 99Food no mercado de delivery
Keeta quer colocar em xeque a eficácia do termo de cessação firmado pelo iFood

Bloqueada na tentativa de disputar as franjas do mercado de delivery, a Keeta decidiu recalcular sua rota e apontar suas armas para o topo da pirâmide, mirando o iFood. Diante de um possível arquivamento do inquérito contra a 99Food no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sob o argumento de que a rival não detém poder de mercado, o grupo chinês articula uma contraofensiva focada no iFood, dono de 80% do setor no país.
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A estratégia consiste em colocar em xeque a eficácia do Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado pelo líder do mercado com o órgão antitruste em 2023. Na avaliação da plataforma, as regras desenhadas para oxigenar o setor e limitar os contratos de exclusividade falharam na prática. O diagnóstico é de que o mercado continua fechado, sem espaço real para novos competidores de peso.
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Um dos argumentos que será entregue pela Keeta é o mapeamento dos estabelecimentos mais lucrativos do delivery brasileiro. Dados monitorados pelo grupo indicam que mais da metade dos restaurantes com maior volume de pedidos em São Paulo e no Rio de Janeiro permanecem vinculados por exclusividade ou forte dependência contratual do iFood, mesmo após as restrições impostas pelo Cade no TCC.
Procurado pela coluna, o iFood rebateu ao plano da Keeta e disse ser “incorreto afirmar que o mercado de delivery no país esteja fechado à concorrência devido aos contratos de exclusividade”.
“Desde 2023, o iFood cumpre as regras previstas no Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado pela plataforma com o Cade, de abrangência nacional. Em linha com o acordo, o iFood não negocia contratos com grandes redes de restaurantes, não tem mais do que 8% de estabelecimentos exclusivos nas cidades e municípios com mais de 500 mil habitantes e só pode ter 25% do volume de vendas (GMV) atrelados a restaurantes exclusivos. Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade sejam apontados como barreira à competição em um cenário no qual outras concorrências seguem investindo e expandindo suas operações em todo o território nacional”, complementou.