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A IA entrou na campanha, e os golpes também: como o eleitor de 2026 pode se blindar

Com fraudes ultrarrealistas e a desinformação em alta, a checagem deixou de ser um preciosismo para se tornar a principal defesa do cidadão

30/09/2026 às 17:00 · Atualizado há 5 dias
IA pode ser aliada ou inimiga na luta contra golpes
Com golpes em alta, ferramentas de inteligência artificial podem ser inimigas ou virar aliadas (NDABCREATIVITY/Adobe Stock)

Quando 158 milhões de brasileiros forem às urnas nas eleições de 2026, a escolha dos candidatos será apenas parte do desafio. Nos bastidores do debate democrático, a cibersegurança do eleitor tornou-se uma preocupação central. Isso porque a mesma engrenagem digital que mobiliza campanhas está sendo usada para escalar fraudes e golpes.

Um aviso urgente de título cancelado acompanhado de um link, ou uma cobrança repentina de multa eleitoral via Pix, já não chegam mais com erros grosseiros de português. Impulsionados pela inteligência artificial, os golpistas agora simulam a realidade com uma precisão cirúrgica, apropriando-se de temas quentes da política para fisgar quem está na outra ponta da tela.

A vulnerabilidade é latente. A terceira edição da pesquisa “Privacidade e Proteção de Dados Pessoais”, realizada pelo Cetic.br, revelou um cenário preocupante: 45 milhões de brasileiros (32% dos usuários de internet acima de 16 anos) já sofreram tentativas de fraude envolvendo dados pessoais. Os principais vetores? Aplicativos de mensagem (84%) e chamadas telefônicas (79%).

A engenharia social e o “fator urgência” nos golpes

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o estelionato virtual consolidou-se como o principal crime contra o patrimônio no país. Foram 2,26 milhões de ocorrências registradas no último ano medido (2025) — uma média alarmante de 258 golpes por hora, orquestrados não por criminosos isolados, mas por quadrilhas altamente profissionais.

Leia também: Com 258 golpes por hora, estelionato é o maior crime patrimonial do país e vira negócio ‘industrial’ para facções

Durante o período eleitoral, o tráfego intenso de debates em grupos de mensagens cria o cenário perfeito. Ao se aproveitar de instituições, candidatos e da polarização, o criminoso consegue o que mais precisa: a atenção e a confiança da vítima. Esse conjunto de manipulações, conhecido como engenharia social, dispensa a violência física, induzindo a pessoa a entregar senhas, dados ou dinheiro por vontade própria. “Se a mensagem cria uma emergência — seja para evitar um bloqueio eleitoral, garantir um benefício ou cobrar um pagamento —, pare imediatamente. Esse é o gatilho clássico da fraude”, alerta Wilder Martins, especialista em cibersegurança e executivo de tecnologia da EXA, empresa focada em soluções digitais.

Martins pontua que a evolução tecnológica mudou a dinâmica da prevenção. “Se no passado uma imagem distorcida ou uma voz robótica serviam de alerta, a inteligência artificial apagou esses rastros. Hoje, a principal defesa do usuário é frear o impulso e nunca seguir o atalho oferecido pela mensagem.”

A defesa no bolso: IA contra IA

Como, então, transitar de forma segura pelo período eleitoral? A regra de ouro é evitar cliques em links recebidos passivamente. Toda informação, especialmente as que envolvem pendências, deve ser buscada ativamente pelo eleitor nos sites e aplicativos oficiais.

Mas a tecnologia que escala o golpe também pode ser usada para desarmá-lo. Foi pensando em municiar o cidadão que a EXA desenvolveu a EVA, uma agente de inteligência artificial gratuita que atua diretamente pelo WhatsApp. O funcionamento subverte a lógica do criminoso, colocando a verificação a um contato de distância.

Basta adicionar o número (11) 97015-1000 à sua agenda e, sem necessidade de instalar novos aplicativos, enviar para a EVA links, e-mails ou códigos Pix suspeitos. A inteligência artificial analisa o conteúdo em segundos e responde, na própria conversa, sobre os riscos envolvidos.

Em um cenário onde a disputa pelo clique é voraz e a desinformação afeta não apenas o debate público, mas o bolso do cidadão, a prudência digital se torna indissociável do próprio exercício da cidadania.

Confira golpes que podem pegar carona nas eleições

Título cancelado ou irregular
Mensagem direciona o eleitor para uma falsa página de regularização;

Pendência na biometria
Criminosos criam senso de urgência dizendo que a pessoa pode ficar impedida de votar;

Falsa multa eleitoral
Cobrança por Pix, boleto ou QR Code;

Mudança no local de votação
Link promete consultar o novo endereço, mas leva a uma página fraudulenta;

Pesquisa eleitoral falsa
Questionário pode servir para capturar CPF, telefone e outros dados;

Áudio ou vídeo falso
IA pode reproduzir voz ou imagem de candidatos, autoridades ou pessoas conhecidas;

Falsa arrecadação
Perfis ou páginas que imitam campanhas podem pedir contribuições via Pix;

Links e QR Codes fraudulentos
Conteúdos com aparência de notícia, propaganda ou serviço podem redirecionar para páginas maliciosas.

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