Beatriz Bulla

Análises sobre política e economia

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Análise

Guerra no Irã: renúncia no alto escalão de Trump mostra que conflito divide até apoiadores

Além de perder um aliado, mais especificamente Joseph Kent, diretor de centro de contraterrorismo que renunciou ao cargo citando ataque ao Irã, Trump amarga baixa popularidade em meio a disparada no preço do petróleo

20/03/2026 às 13:47 · Atualizado há 5 meses
Joseph Kent afirmou que governo foi levado à guerra por pressão de Israel e de setores da mídia. Reprodução: X

Nesta semana, o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo do governo americano, Joseph Kent, renunciou ao cargo afirmando sua oposição à guerra no Irã. A saída de Kent do governo Trump marca um movimento relevante por ser a primeira renúncia de alto escalão motivada pelo conflito, evidenciando que a guerra divide até mesmo apoiadores do presidente americano.

Na carta de renúncia, Kent afirmou: “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação. É evidente que iniciamos essa guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby americano”. Com isso, ele contraria a principal justificativa de Trump para o ataque: a de que o Irã representaria uma ameaça. 

Embora a renúncia tenha sido uma surpresa, uma vez que o alto escalão dos funcionários da Casa Branca e dos outros órgãos do governo americano tem se mantido fiel a Trump, o republicano minimizando a saída de Kent e desqualificou o ex-diretor, chamando-o de “fraco” em quesitos de segurança.

É necessário lembrar que o pilar do discurso MAGA (“Make America Great Again”) é centrado na crítica às “guerras eternas” nas quais os Estados Unidos se envolveram ao longo do tempo, que oneram os cofres públicos americanos. Portanto, esse movimento é contrário à iniciativa de novas frentes militares, gerando um dilema interno para o presidente.

Paralelamente, o New York Times reportou que o FBI abriu uma investigação contra Kent por um suposto vazamento de informações de inteligência, uma prática que vem sendo corriqueira no governo Trump quando ele quer perseguir ou intimidar aliados — atingindo até jornalistas, fato que acendeu um alerta mundial. O governo alega que Kent divulgou informações confidenciais de forma inadequada, e que a investigação seria anterior à renúncia do ex-diretor. 

Queda de popularidade e disparada no petróleo

Além de perder um aliado, Trump também tem amargado queda nas taxas de popularidade diante do aumento do preço dos combustíveis, que não para de subir nos EUA. Nesta semana, o barril de petróleo chegou a US$ 119, depois de uma série de ataques a importantes instalações de energia no Irã e no Catar, e da manutenção do bloqueio no Estreito de Hormuz pela Guarda Revolucionária do Irã.

Há pouco mais de duas semanas, especialistas estimavam que o barril (então a US$ 50) chegaria, em algum momento, a esse valor. Chegamos aqui mais rápido do que parecia.

Portanto, agora Trump também se vê com esse problema de ordem econômica, que atinge diretamente sua base de apoio — a classe média americana.

Nesta quinta, ele recebeu a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e um dos temas da reunião foi o pedido de ajuda para tentar reabrir o Estreito de Hormuz. Durante a entrevista coletiva, Trump disse que vai fazer tudo o que for necessário para baixar os preços do petróleo, e o secretário de Tesouro americano disse que o governo pode até avaliar a suspensão de parte das sanções sobre o petróleo iraniano. Uma possível crise global está batendo forte nos estados unidos.

Assista à íntegra da análise de Beatriz Bulla ao Matinal desta sexta (20):

Os artigos publicados pelo Amado Mundo não refletem necessariamente a opinião do site. O objetivo ao publicá-los é estimular o necessário debate em qualquer democracia.
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