Guerra no Irã: mísseis ameaçam celebrações religiosas em Jerusalém
Estilhaços de interceptações caíram perto da Igreja do Santo Sepulcro e da mesquita da Aqsa; tempo para buscar abrigo caiu de 10 minutos para 90 segundos

Estilhaços de um míssil iraniano interceptado caíram na Cidade Velha de Jerusalém — um deles a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro, onde a tradição cristã situa a crucificação e o sepultamento de Jesus. Outro, dentro do complexo da mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã.
Os episódios ocorrem em meio ao um período marcado por celebrações religiosas do Judaísmo, Islamismo e Cristianismo.
O Ramadã, mês sagrado para muçulmanos, acabou na última sexta (20), quando começou o Eid Il-Ifat, outra celebração comemorada após o Ramadã. Naquele mesmo dia, os iranianos comemoram Nowrus, o ano novo no calendário persa. Os Judeus celebram entre 2 e 8 de abril o Pesach, em homenagem à liberação do povo hebreu do Egito. No próximo dia 29, cristãos começam a celebração da Semana Santa.
Mas a guerra, que está prestes a completar um mês, mantém a Cidade Velha fechada e as celebrações, suspensas.
Cidade Velha reúne locais sagrados das três religiões
A Cidade Velha é o núcleo histórico e simbólico de Jerusalém. Em poucos quilômetros quadrados concentram-se locais sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos — entre eles o Santo Sepulcro, a mesquita da Aqsa e o Muro das Lamentações, onde judeus acreditam estarem os últimos vestígios do Segundo Templo. O local tem referências bíblicas e históricas que atravessam séculos: Dom Pedro II chegou a ficar em uma hospedaria ali, que hoje conta com um café.
Quando destroços caem perto de lugares sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos, isso gera um alerta muito maior.
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No confronto anterior entre Israel e Irã, em junho de 2025, Jerusalém havia sido poupada de impactos físicos. As sirenes soavam, e as interceptações eram visíveis no céu, mas nada tocava o chão da cidade, tradicionalmente a mais protegida da região. Agora, o tempo disponível para buscar abrigo após o disparo de uma sirene caiu de 10 minutos (em 2025) para 90 segundos.
Nas ruas, a rotina mantém uma aparência de normalidade parcial. O governo israelense permite a circulação, desde que as pessoas consigam alcançar um abrigo em tempo hábil. Boa parte dos moradores já planeja seus trajetos com base na localização desses espaços. O lado palestino da cidade, no entanto, dispõe de pouquíssimos ou quase nenhum abrigo público, o que limita a mobilidade de seus habitantes de forma desigual.
Na manhã de sexta, quando começou o Eid al-Fitr — a Festa do Desjejum, homens que tentavam rezar do lado de fora da Cidade Velha foram violentamente dispersados com bombas de gás lacrimogênio pelo exército israelense.
