Talita Fernandes

De Jerusalém, análises sobre política, mundo e Oriente Médio

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Análise

Guerra no Irã: mísseis ameaçam celebrações religiosas em Jerusalém

Estilhaços de interceptações caíram perto da Igreja do Santo Sepulcro e da mesquita da Aqsa; tempo para buscar abrigo caiu de 10 minutos para 90 segundos

Publicado em 25/03/2026 às 06:00
Na manhã de sexta, quando começou o Eid al-Fitr — a Festa do Desjejum, muçulmanos que tentavam rezar do lado de fora da Cidade Velha foram violentamente dispersados com bombas de gás lacrimogênio pelo exército israelense. (Foto de JOHN WESSELS / AFP)

Estilhaços de um míssil iraniano interceptado caíram na Cidade Velha de Jerusalém — um deles a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro, onde a tradição cristã situa a crucificação e o sepultamento de Jesus. Outro, dentro do complexo da mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã.
Os episódios ocorrem em meio ao um período marcado por celebrações religiosas do Judaísmo, Islamismo e Cristianismo.

O Ramadã, mês sagrado para muçulmanos, acabou na última sexta (20), quando começou o Eid Il-Ifat, outra celebração comemorada após o Ramadã. Naquele mesmo dia, os iranianos comemoram Nowrus, o ano novo no calendário persa. Os Judeus celebram entre 2 e 8 de abril o Pesach, em homenagem à liberação do povo hebreu do Egito. No próximo dia 29, cristãos começam a celebração da Semana Santa.

Mas a guerra, que está prestes a completar um mês, mantém a Cidade Velha fechada e as celebrações, suspensas.

Cidade Velha reúne locais sagrados das três religiões

A Cidade Velha é o núcleo histórico e simbólico de Jerusalém. Em poucos quilômetros quadrados concentram-se locais sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos — entre eles o Santo Sepulcro, a mesquita da Aqsa e o Muro das Lamentações, onde judeus acreditam estarem os últimos vestígios do Segundo Templo. O local tem referências bíblicas e históricas que atravessam séculos: Dom Pedro II chegou a ficar em uma hospedaria ali, que hoje conta com um café.

Quando destroços caem perto de lugares sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos, isso gera um alerta muito maior.

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No confronto anterior entre Israel e Irã, em junho de 2025, Jerusalém havia sido poupada de impactos físicos. As sirenes soavam, e as interceptações eram visíveis no céu, mas nada tocava o chão da cidade, tradicionalmente a mais protegida da região. Agora, o tempo disponível para buscar abrigo após o disparo de uma sirene caiu de 10 minutos (em 2025) para 90 segundos.

Nas ruas, a rotina mantém uma aparência de normalidade parcial. O governo israelense permite a circulação, desde que as pessoas consigam alcançar um abrigo em tempo hábil. Boa parte dos moradores já planeja seus trajetos com base na localização desses espaços. O lado palestino da cidade, no entanto, dispõe de pouquíssimos ou quase nenhum abrigo público, o que limita a mobilidade de seus habitantes de forma desigual.

Na manhã de sexta, quando começou o Eid al-Fitr — a Festa do Desjejum, homens que tentavam rezar do lado de fora da Cidade Velha foram violentamente dispersados com bombas de gás lacrimogênio pelo exército israelense.

Na manhã de sexta, quando começou o Eid al-Fitr — a Festa do Desjejum, muçulmanos que tentavam rezar do lado de fora da Cidade Velha foram violentamente dispersados com bombas de gás lacrimogênio pelo exército israelense. (Foto de JOHN WESSELS / AFP)

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