Guerra das Malvinas e 40 anos da ‘Mão de Deus’: a rivalidade entre Argentina e Inglaterra
Confrontos entre ingleses e argentinos promoveram momentos marcantes na história da Copa do Mundo

O confronto entre Argentina e Inglaterra é considerado um dos grandes clássicos da história da Copa do Mundo. Na edição de 2026, os rivais voltam a se encontrar, agora nas semifinais do torneio. O histórico de duelos entre as seleções envolve brigas, expulsões, guerra e um dos gols mais contestados da história do futebol.
O primeiro capítulo
Os embates entre as seleções são polêmicos desde 1966, quando argentinos e ingleses se encontraram em uma Copa do Mundo pela primeira vez. Pelas quartas de final do torneio, que era realizado na Inglaterra, os donos da casa se classificaram com uma vitória por 1 a 0.
Durante a partida, Rattín, então capitão da Argentina, foi convidado a se retirar do gramado após uma discussão com o árbitro alemão Rudolf Kreitlein– ainda não existiam os cartões vermelhos e amarelos, que passariam a formalizar este tipo de punição a partir do Mundial de 1970, no México.
Ao sair do gramado, o argentino agarrou uma bandeirinha de escanteio com o símbolo britânico e, em seguida, sentou-se em um tapete vermelho destinado à rainha Elizabeth, recusando-se a ir embora. Rattín só deixou o campo após constantes protestos da torcida inglesa.
O então técnico da Inglaterra, Alf Ramsey, referiu-se aos jogadores argentinos como “animais” em entrevista após o duelo — fato que a seleção da Argentina jamais esqueceu. Na sequência daquele torneio, os ingleses conquistaram a Copa do Mundo pela primeira vez na história (e única, até agora).
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A vingança dos argentinos
A rivalidade entre os países ganhou ainda mais força em 1982. Argentina e Inglaterra entraram em conflito pelo controle de ilhas localizadas no Atlântico Sul, conhecidas pelos britânicos como Falklands e pelos argentinos como Malvinas. A guerra entre os países foi considerada “desigual”, principalmente pela ótica dos argentinos.
O exército britânico enviado às Malvinas era formado por militares profissionais altamente treinados para combates de longa duração e condições climáticas adversas, segundo informações divulgadas pela BBC. A Argentina, que estava longe de ser uma potência militar, enviou, em grande maioria, soldados jovens que foram recrutados para cumprir o serviço obrigatório e não tinham nenhuma experiência.
A diferença entre os equipamentos usados e as tecnologias aplicadas tornaram a distância entre os exércitos ingleses e argentinos ainda maior. O conflito durou apenas 74 dias, e terminou com a desistência da Argentina. Morreram 649 soldados sul-americanos e 255 combatentes britânicos, conforme levantamento da agência Reuters.
Após a derrota na guerra e a perda de tantos jovens argentinos, a seleção local chegou à Copa do Mundo de 1986, no México, pensando em homenagear os mortos no conflito. O cenário se tornou propício para uma vingança nas quartas de final, quando os ingleses entraram no caminho. Foi quando Diego Armando Maradona assumiu o maior protagonismo da história do confronto.
O primeiro gol do camisa 10 argentino marcado foi com a mão esquerda, quando ele saltou com o intuito de dividir o lance com o goleiro inglês Peter Shilton. O árbitro não viu a irregularidade, e permitiu que o gol fosse validado no estádio Azteca. O episódio se tornou eternamente conhecido como “La Mano de Dios” — “A Mão de Deus”, em português.
O segundo gol é considerado um dos mais bonitos da história das Copas do Mundo. Maradona partiu do meio-campo e driblou cinco marcadores ingleses antes de rolar a bola para o gol, estabelecendo a vitória da Argentina por 2 a 1 contra a Inglaterra — Gary Lineker descontou nos minutos finais.
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A expulsão de um astro
Os ingleses saíram do Mundial de 1986 com a sensação de serem injustiçados, e quase reencontraram os rivais quatro anos depois. A Argentina foi à final da Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália. Os ingleses, porém, foram eliminados pela Alemanha nas semifinais e não conseguiram a tão esperada revanche.
Inglaterra e Argentina só se reencontraram em 1998, na Copa do Mundo da França. Na ocasião, um empate por 2 a 2 levou as equipes para as penalidades, terminando com classificação dos argentinos. Nesta partida, o ainda jovem astro da seleção inglesa, David Beckham, foi expulso após provocações do então volante Diego Simeone. Pela falha, o meio-campista de 23 anos foi amplamente criticado pelos ingleses e apontado como responsável pela eliminação.
A redenção de David Beckham veio quatro anos depois, quando o Mundial foi disputado na Coreia do Sul e no Japão. A Inglaterra reencontrou a Argentina na fase de grupos, e venceu os rivais por 1 a 0 — Beckham, de pênalti, fez o gol do triunfo inglês. A seleção europeia avançou para o mata-mata, enquanto a Argentina terminou eliminada no grupo que também reunia Suécia e Nigéria.
A semifinal da Copa do Mundo de 2026 promove o reencontro entre Argentina e Inglaterra após 24 anos sem confrontos no torneio. O vencedor do duelo se classifica para a final da competição, que será disputada no próximo domingo (19), às 16h, em Nova Jersey. O perdedor entra em campo no sábado (18), às 18h, em Miami, para a disputa do terceiro lugar.