Reportagem

Governo Trump investiu US$ 1 milhão em campanha contra o STF, revela jornal britânico

De acordo com The Guardian, EUA também enviaram recursos para promover agenda da extrema direita na África e na Europa

01/10/2026 às 07:13 · Atualizado há 4 dias
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Donald Trump, presidente dos EUA: governo destinou verba para ataques ao STF (Jim Watson / AFP)

A administração do presidente americano Donald Trump enviou US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) para uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, revelou nesta quinta-feira, 1/10, o jornal britânico The Guardian.

Sob a alcunha de “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, o subsídio visava financiar grupos da sociedade civil que se opõem ao que é descrito como excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte do Brasil.

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Governo Trump destinou quase R$ 1 bilhão para agenda de extrema direita

A publicação relembra que “o governo Trump impôs sanções ao ministro brasileiro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente” Jair Bolsonaro. Em maio, Eduardo, o blogueiro de extrema direita Paulo Figueiredo e o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro encontraram-se com Trump na Casa Branca.

Segundo o jornal, o montante total de US$ 176,9 milhões (R$ 916,3 milhões) se divide em 43 subsídios do governo Trump para financiar projetos conservadores e de extrema direita aliados à ideologia e interesses da Casa Branca. Além do Brasil, os investimentos foram feitos em países da África e da Europa. A agenda incluía promover o discurso anti-imigração no continente europeu e de defender os direitos da minoria branca afrikaner da África do Sul.

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Um documento obtido pelo Guardian apresenta Andrew Bremberg, ex-assessor de política interna da Casa Branca de Trump e ex-embaixador americano no escritório da ONU na Europa, como um dos líderes da fundação anti-comunista Victims of Communism Memorial Foundation (VOC). A organização sem fins lucrativos teria recebido o maior repasse: US$ 40 milhões (R$ 207 milhões).

A senadora democrata Jeanne Shaheen bloqueou dez repasses do Fundo de Direitos Humanos e Democracia — como o governo batizou o projeto para incentivar a agenda de extrema direita no exterior e influenciar a política em outros países — que seria destinado para Brasil, Nigéria e África do Sul, informou um assessor parlamentar ao Guardian.

Trump recebe Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo no Salão Oval
Trump recebe Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo no Salão Oval (Divulgação)

Marco Rubio ignorou bloqueios de senadora

Na segunda-feira, 28/9, Shaheen e seus colegas de Senado Tim Kaine e Peter Welch enviaram uma carta à administração Trump alertando contra a intervenção americana nas eleições brasileiras. O documento foi entregue a Marco Rubio, secretário de Estado do governo.

“O governo se comprometerá a reconhecer o resultado oficial das eleições democráticas brasileiras de 2026 e a manter relações diplomáticas normais com qualquer candidato que seja escolhido livre e justamente pelo povo brasileiro?”, diz trecho da carta dos senadores democratas.

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Ainda de acordo com o assessor parlamentar ouvido pelo jornal britânico, o próprio Rubio assinou um memorando que visava passar por cima dos bloqueios impostos por Shaheen e liberar os recursos do fundo para disseminar a agenda radical do atual governo dos Estados Unidos em outros países ao redor do mundo.

“A proposta da administração Trump usaria dinheiro do contribuinte para promover organizações e programas da extrema direita em democracias estabelecidas. Isto é um desperdício de recursos e prejudica os valores dos Estados Unidos e suas relações com parceiros democráticos, incluindo aliados na Europa”, disse Shaheen ao comitê de relações internacionais do Senado.

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