Reportagem

Governadora do DF, Celina Leão diz que BRB não corre risco de liquidação após caso Master

Celina Leão defende nova gestão e afirma que BRB foi ‘vítima’ de irregularidades, em caso que envolve o Master

20/04/2026 às 13:02 · Atualizado há 6 meses

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o BRB “não será vendido e nem liquidado” e que o banco já superou o momento mais crítico da crise relacionada ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

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A declaração foi feita nesta segunda-feira (20), em entrevista ao programa Matinal, do Amado Mundo, em meio ao avanço das investigações sobre a relação entre as duas instituições financeiras e após a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ele foi preso na última quarta-feira (16), na quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, acusado de receber de Vorcaro R$ 146,5 milhões em propina, segundo as investigações, com o intuito de favorecer interesses ligados ao Master dentro do BRB. As suspeitas incluem pagamentos dos valores por meio de imóveis.

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Segundo Celina Leão, o BRB é “estratégico” e alvo de interesse no sistema financeiro. A governadora atribuiu a crise a decisões da gestão anterior, do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições.

Leão buscou ainda diferenciar sua administração da anterior ao afirmar que adotou uma postura de maior controle e transparência, listando medidas como a troca no comando da Secretaria da Fazenda, o afastamento de dirigentes da instituição financeira e a abertura de diálogo com o Banco Central e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

“O banco não será vendido, o banco não será liquidado. O BRB é um banco tão estratégico e tão forte que ele virou talvez a joia da coroa desejada por vários banqueiros do Brasil (…) Já saímos do momento mais crítico. Eu acho que a nova gestão, com a nossa postura, uma postura que realmente é muito firme, muito transparente, que não deixou dúvidas quanto ao nosso posicionamento, trazem aquilo que o mercado financeiro precisa, que é a credibilidade”.

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As declarações de Celina Leão ao Matinal foram dadas após uma sequência de fatos que agravaram a situação do BRB. Investigações da Polícia Federal indicam que o banco teria realizado operações para socorrer o Banco Master desde 2024, incluindo compra de carteiras de crédito. Parte desses ativos, segundo apuração, não teria lastro, os chamados “créditos podres” do Master.

Segundo a governadora, o BRB foi “vítima” do processo e que as responsabilidades devem ser individualizadas: “O banco é uma instituição. As pessoas que fizeram isso vão ter que pagar.”

Matinal

Ela também disse que não participou das decisões relacionadas à tentativa de aquisição do Master e que tomou conhecimento do caso apenas pela imprensa. 

“Eu não fui consultada, eu não anuí. E, à época, eu fiquei sabendo pela imprensa sobre a possível venda do Master. E também pela imprensa deixei o meu posicionamento”, afirmou.

Segundo ela, o banco tem uma “história regional” em Brasília, e Paulo Henrique Costa estaria muito distante das “necessidades da cidade”.

“Houve várias situações que precisavam ser corrigidas. Estão sendo corrigidas todas aquelas que nós já de imediato detectamos, mas a auditoria entregou o terceiro relatório já à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal, e eu tenho certeza que nós vamos trazer clareza a todos esses acontecimentos”, complementou.

Ao comentar a condução anterior, evitou atribuir responsabilidade direta ao ex-governador Ibaneis Rocha, mas indicou diferenças de estilo. Segundo ela, a gestão anterior dava mais autonomia a auxiliares, enquanto sua administração atua com maior intervenção.

“O governador Ibaneis sempre deu muita autonomia para os seus secretários. Eu não trabalho nesse formato. Eu cobro mesmo, eu determino, eu realmente delego, mas eu tenho uma postura um pouco diferente, talvez pela forma como ele trabalha, sem fazer juízo de valor”, salientou.

Entre as medidas adotadas desde que assumiu o governo, ela citou a substituição de integrantes da equipe econômica, a realização de auditorias internas e o ajuizamento de ações para tentar recuperar recursos. Segundo ela, o banco já equacionou problemas de liquidez de curto prazo e trabalha para recompor capital.

Confira a íntegra da entrevista de Celina Leão ao Matinal:

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