Entrevista

Governador exonera 500 pessoas, mas população nem sente, diz Freixo sobre má gestão no RJ

Pré-candidato a deputado federal lança livro sobre sua trajetória no Rio e critica má gestão crônica do estado: 'O Rio não pode estar entregue a um projeto do crime na política'

22/04/2026 às 18:45 · Atualizado há 6 meses
Marcelo Freixo (Divulgação)

Doze anos na Alerj combatendo milícias e a criminalidade, outros quatro no Congresso Nacional — e Marcelo Freixo não tem dúvidas sobre o diagnóstico do Rio de Janeiro: a má gestão crônica segue intocada.

Em entrevista ao programa Matinal, do Amado Mundo, nesta quarta-feira (22), o pré-candidato a deputado federal pelo PT usou um exemplo recente para ilustrar o argumento.

O exemplo é o governo interino de Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que assumiu temporariamente o cargo após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, em março. Couto exonerou centenas de funcionários da gestão anterior como parte de um “choque de gestão” — uma reformulação administrativa que, na avaliação de Freixo, não chegou à vida real das pessoas.

“A população não sentiu nenhuma diferença na sua vida de 500 pessoas a menos empregadas no governo do Rio de Janeiro. Para você ver o quanto a coisa precisa ser superada por aqui”, disse ao Matinal.

“O Rio é muito potente e não pode estar entregue a um projeto do crime na política.”

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Um Rio de Janeiro que não está no cartão-postal

É justamente essa complexidade que Freixo tenta capturar em seu novo livro, “Viver é perigoso — Minha travessia no Rio” (Editora Planeta), escrito em parceria com o jornalista Bruno Paes Manso e com apresentação do ator Wagner Moura.

A obra retrata um Rio distante do cartão-postal ao mergulhar na trajetória do próprio autor, incluindo os anos de combate às milícias na Alerj e a necessidade de resgatar o diálogo na política em tempos de polarização extrema.

“Não terá saída fácil para o Rio. Mas não é um livro para sair do Rio, é um livro para mergulhar nele”, diz.

Uma das histórias narradas ilustra como Freixo buscou construir pontes mesmo com adversários. Para aprovar um projeto de lei que acabava com as revistas vexatórias nos presídios, ele levou mulheres — mães e avós de detentos — para contar suas histórias ao então presidente da Alerj, Jorge Picciani, morto em 2021.

“Eu falei: presidente, queria só que você ouvisse as histórias delas. Eram donas de casa, trabalhavam em duas, três casas, eram pessoas muito dignas — e tinham filhos e netos que tinham cometido crime e elas não queriam deixar de visitá-los.”

Picciani, segundo Freixo, ficou “horrorizado” com os relatos. “Aí falou: ‘Mas Freixo, o que a gente faz?’ Eu falei: ‘Presidente, eu tenho um projeto de lei que pode ser assinado pelo senhor’.” E o texto foi aprovado. “Ninguém lembra que a lei é minha e do Picciani.”

Mesmo assim, Freixo diz nunca ter votado no Piccini para presidente da Alerj. “E, mesmo assim, a gente conversava sistematicamente, porque a política tem que ser o lugar da conversa e do diálogo.”

Assista à entrevista completa no Matinal desta quarta-feira (22):

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