Reportagem

Reservas protagonistas: Copa de 2026 tem a maior média de gols do banco da história

Levantamento mostra média recorde de gols de reservas na Copa: Undav, Manzambi e Vargas estão entre os nomes que decidiram jogos em 2026

por Eduarda Farias
23/06/2026 às 14:55 · Atualizado há 4 meses
Undav celebra segundo gol como reserva da Alemanha na Copa do Mundo (foto: Indrawan Kumala/Nurphoto/via AFP)

Um levantamento da Opta Analyst mostrou que a Copa do Mundo de EUA, México e Canadá já teve 26 gols marcados por jogadores que saíram do banco, em uma média de 0,59 por jogo — a maior taxa da história das Copas masculinas. O indicador supera o do Mundial do Brasil em 2014 (0,50) e o do Catar em 2022 (0,47), e mostra como o banco de reservas deixou de ser plano B para se tornar arma estratégica nessa edição.

Leia também: Ameaçado por ditador, Congo se preocupou em sobreviver ao enfrentar Brasil na Copa de 1974

A explicação não é mistério: com 48 seleções, jogos mais corridos e um calendário que castiga o condicionamento físico, técnicos têm usado as substituições de forma mais agressiva e cedo — recurso que, somado à pausa de hidratação no meio de cada tempo, dá ainda mais espaço para o jogo se abrir na reta final das partidas.

Os reservas que decidiram jogos

O nome que mais aparece na conversa sobre “supersubs” é o do alemão Deniz Undav. Contra Curaçao, o atacante entrou no intervalo e balançou a rede aos 33 minutos do segundo tempo, 10 minutos depois de dar uma assistência de calcanhar para o gol de Nathaniel Brown.

Mas foi contra a Costa do Marfim que o atacante do Stuttgart se tornou decisivo de verdade: com a Alemanha perdendo por 1 a 0, Julian Nagelsmann fez uma tripla substituição na marca dos 60 minutos, e Undav resolveu sozinho — empatou aos 68′, recebendo cruzamento de Kimmich, e virou o placar aos 4 minutos dos acréscimos, em uma cobrança de bola dividida que selou a vitória por 2 a 1 e garantiu a Alemanha no mata-mata.

O resultado deixou o atacante com cinco participações em gols saindo do banco no torneio (três gols, duas assistências), igualando o recorde de Roger Milla em 1990 para uma única edição.

Outro episódio que resume bem o poder do banco aconteceu no duelo entre Suíça e Bósnia-Herzegovina. O jogo seguia 0 a 0 até a entrada de Johan Manzambi e Rubén Vargas. Três minutos depois de pisar em campo, Manzambi abriu o placar aos 74′ ; seis minutos depois, ainda armou a jogada que terminou na expulsão de um defensor bósnio, e Vargas fechou a conta aos 84′.

Com isso, Manzambi se tornou o jogador mais jovem da história (20 anos e 247 dias) a marcar dois gols numa mesma partida de Copa saindo do banco, e a Suíça fechou 4 a 1.

Confira: Messi marca dois, supera Marta e se isola como maior goleador da Copa do Mundo

Na Holanda, o banco também resolveu sem precisar de protagonismo absoluto. Contra a Suécia, depois de Brian Brobbey (titular) abrir 2 a 0, o time ainda viu o reserva Memphis Depay entrar aos 27 minutos do segundo tempo e, com apenas alguns toques na bola, dar a assistência para o gol de Crysencio Summerville, ele também saindo do banco, que fechou a goleada por 5 a 1 aos 43′.

Do lado sueco, a mesma partida teve outro gol de reserva: Anthony Elanga havia entrado minutos antes e descontou aos 13′ da etapa final, aproveitando passe de Alexander Isak.

O padrão que se repete nos lances acima é claro: a maioria dos gols de reserva sai depois dos 60 minutos, em times que já fizeram ajustes físicos ou táticos para acelerar o jogo contra defesas cansadas. Isso é coerente com um calendário apertado de 48 seleções e clima de verão norte-americano, que aumenta o desgaste físico e torna o “banco fresco” uma vantagem competitiva real.

PLAYLISTS