‘Grid definido por computadores’: gestão de energia gera polêmica do ano na Fórmula 1
Mudanças no regulamento e implementação de tecnologia geram críticas de pilotos após Grande Prêmio da Bélgica

Max Verstappen, Lando Norris, Oscar Piastri, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Carlos Sainz já reclamaram da gestão de energia exigida pelas unidades de potência dos carros e pelo atual regulamento técnico da Fórmula 1, que foi instaurado nesta temporada. O tema voltou a ser discutido após o GP da Bélgica, no último domingo (19), em que Piastri enfrentou problemas com a potência de energia elétrica de sua McLaren.
“Conversando com alguns outros pilotos, a história é parecida. Quer dizer, quando o grid é decidido por computadores, que funcionam ou não funcionam direito, fica ruim de competir”, disse o piloto australiano aos jornalistas após enfrentar problemas durante a etapa classificatória na Bélgica. A declaração foi publicada pela emissora ESPN.
Entenda a nova tecnologia
A gestão de energia consiste na maneira como o piloto controla o uso e a recarga da bateria do carro na pista. Desde a mudança no regulamento da Fórmula 1, metade da potência do motor passou a ser elétrica, e a outra metade a combustão. Como a energia da bateria acaba rápido, o piloto precisa economizar e recarregar estrategicamente em curvas e retas para não perder velocidade.
Em circuitos de alta velocidade e com longas retas, como no caso de Spa-Francorchamps, pista em que é disputado o GP da Bélgica, os pilotos enfrentam quedas bruscas de potência elétrica no final das retas quando acabam as baterias. Dessa forma, os competidores acabam tirando o pé do acelerador mais cedo nas curvas.
Por causar problemas que não dependem do desempenho dos pilotos, a gestão de energia se tornou uma polêmica entre pilotos e equipes da Fórmula 1. O sistema automatizado foi introduzido nesta temporada e aumentou a importância do motor elétrico para que os carros alcancem maior potência, mas exige que os pilotos controlem o funcionamento e a recarga da bateria dos carros.
Parte do sistema de recarga das baterias é independente, podendo ser programada previamente pelos engenheiros de cada equipe. Porém, este novo formato aumenta a preocupação dos pilotos em não ficar sem energia, pois, caso aconteça, o carro terá apenas metade de sua potência.
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Sistema sensível
Andrea Stella, chefe da McLaren, explicou que a nova unidade de potência da F1 possui um sistema autônomo que se adapta para, a cada volta, antecipar parâmetros de gestão de energia e outras questões. A automatização é extremamente sensível às pequenas mudanças, o que acaba afetando a distribuição de potência fornecida ao piloto.
Para o chefe da McLaren, as falhas de Oscar Piastri e Lando Norris no GP da Bélgica não foram causadas por erros dos pilotos, mas, sim, por desvios no software que controla a bateria em circuitos longos e sensíveis à potência. Eles terminaram a prova na quinta e na sétima posição, respectivamente.
“É uma pena que haja tantas coisas que possam ditar o seu próprio ritmo na classificação. Não depende do piloto, depende apenas de torcer para ter sorte e que a unidade de potência faça o que deve fazer, sem causar nenhum problema bobo. Isso vem me prejudicando o ano todo”, apontou o inglês Lando Norris após o GP da Bélgica.
Fernando Alonso e Lewis Hamilton, os mais experientes do atual grid da Fórmula 1, afirmaram que os novos carros exigem reduções de velocidade em certas curvas apenas para economizar energia, o que atrapalha a prática de uma pilotagem agressiva e do mérito de guiar os veículos no limite permitido.
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Em resposta às críticas, a Fórmula 1 vai mudar a divisão da potência dos motores de forma gradual até 2028. O motor a combustão passará a representar 60% da energia fornecida para cada carro, e o motor elétrico, por sua vez, 40%.