Genial/Quaest: Brasileiros veem Lula mais patriota do que Flávio Bolsonaro
Pesquisa Genial/Quaest mostra petista crescendo entre eleitores independentes e revertendo liderança do senador em áreas historicamente ligadas à oposição

O presidente Lula expandiu sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro quando o eleitorado avalia quem melhor encarna o discurso de patriotismo e de defesa dos interesses do país. De acordo com a mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, feita na segunda semana de julho, 51% dos brasileiros apontam Lula como o principal defensor do Brasil, contra 34% que escolhem Flávio Bolsonaro.
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O resultado aponta uma consolidação de Lula e uma retração de Flávio em relação ao mês de junho, quando o placar marcava 47% a 37%. Outros 9% afirmaram que nenhum dos dois representa o tema, e 6% não souberam ou não responderam.
O dado mais expressivo da rodada veio do recorte que une as regiões Centro-Oeste e Norte. Em junho, Flávio Bolsonaro liderava o segmento com 44%, contra 40% de Lula. Em apenas um mês, o cenário virou drasticamente: o petista saltou para 56%, enquanto o senador recuou para 33%.
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A dianteira ampliada do petista também foi impulsionada pela absorção do eleitorado de centro. Entre os brasileiros que se declaram politicamente independentes, Lula subiu de 41% para 45%. No mesmo grupo, Flávio Bolsonaro oscilou negativamente, indo de 25% para 24%.
Fortalezas e áreas de atrito
A pesquisa detalha a cristalização de bases para cada lado e as atuais zonas de empate. O Nordeste continua sendo o principal reduto lulista, onde o presidente vence por 60% a 27%. Lula também domina amplamente entre os brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos (58% a 27%), entre os que têm até o ensino fundamental (60% a 26%) e no segmento católico (57% a 30%).
Já Flávio Bolsonaro mantém sua liderança mais sólida no eleitorado evangélico, superando Lula por 47% a 35%. O senador também resiste na frente na região Sul com 42% contra 38% do petista, embora a distância tenha encurtado em relação aos 48% a 37% registrados no mês passado.
Onde a disputa está acirrada, há empate técnico estatístico. Na faixa de eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, Lula marca 43% e Flávio aparece com 42%. O cenário de igualdade absoluta se repete entre os entrevistados com ensino superior completo: 40% a 40%.
Bases fiéis
No recorte do segundo turno da eleição presidencial de 2022, a transferência de lealdade é alta para ambos os lados. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 80% consideram o filho do ex-presidente o melhor representante do patriotismo. Na outra ponta, 84% dos eleitores de Lula mantêm a escolha no atual chefe do Executivo.
O grupo dos que votaram em branco, nulo ou não compareceram às urnas em 2022 concentra a maior taxa de descolamento: 32% dizem que nenhum dos dois defende bem o Brasil, embora, neste nicho, Lula tenha a preferência de 34% contra 27% de Flávio.
Perfil da amostra
Para a 27ª rodada da pesquisa foram realizadas 2.004 entrevistas domiciliares e presenciais entre 10 e 13 de julho de 2026, com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para os resultados gerais, com nível de confiança de 95%.
O perfil dos entrevistados reflete a pluralidade demográfica do eleitorado brasileiro, com uma ligeira predominância de mulheres (53%) e de cidadãos na faixa etária entre 35 e 59 anos (45%).
Geograficamente, a maior parte dos questionários foi aplicada na região Sudeste (41%), seguida pelo Nordeste (27%) e pelo Sul (15%), enquanto o Norte (9%) e o Centro-Oeste (8%) completam a distribuição.
No aspecto socioeconômico, a maior parcela dos respondentes vive com renda familiar entre 2 e 5 salários mínimos (42%) e tem nível de instrução concentrado entre o ensino fundamental (41%) e o ensino médio (40%).
No recorte religioso, os católicos representam 49% da base mapeada, enquanto os evangélicos somam 28%.
No campo do posicionamento político autodeclarado, o levantamento é sustentado por um grande contingente de eleitores que se posicionam fora da polarização direta: o grupo dos “independentes” lidera o espectro com 33% da amostra. O bloco alinhado à esquerda soma 32% (sendo 19% lulistas e 13% de esquerda não lulista), ao passo que o campo da direita totaliza 33%, dividido entre 21% de eleitores de direita não bolsonarista e 12% que se declaram bolsonaristas tradicionais.
Por fim, a caracterização da amostra indica que 45% dos entrevistados se declaram pardos, 43% brancos e 11% pretos, com 20% do total de respondentes afirmando ser beneficiário do programa Bolsa Família.