Domi Becker

Jornalista e criadora de conteúdo, cobriu grande eventos esportivos pelo mundo antes de viajar por 60 países. Agora se prepara para a Copa 2027

Jornalista e criadora de conteúdo, embarca para a Copa com o filho de 1 ano

Banner imagem do autor Banner mobile imagem do autor
Análise

O futebol feminino é gigante, e a Copa de 2027 vai provar isso

Apesar de avanços mínimos e de muito machismo, o mercado está percebendo o crescimento da modalidade; e cabe a nós apoiar o futebol feminino

16/07/2026 às 13:45 · Atualizado há 3 meses
futebol feminino
Kerolin e Dudinha celebram gol da Seleção Feminina sobre a Coreia do Sul, na Arena Pantanal, pelo Fifa Series (Lívia Villas Boas/CBF)

A gente precisa parar de ignorar a força do futebol feminino. De acordo com uma pesquisa do Nielsen Sports, a modalidade é um dos esportes que mais crescem no mundo e a projeção é de que ele esteja entre os cinco mais consumidos do planeta até 2030. Estamos falando de um salto de 38% de crescimento. O mercado já percebeu que existe muito dinheiro e há muita torcida. 

Leia também: Por que temos uma imagem de Mbappé ditador, mala e arrogante? Os fatos vão além dos memes

Para quem ainda torce o nariz e diz que “não gosta”, os números respondem sozinhos. Na final do Campeonato Brasileiro Feminino, tivemos mais de 40 mil pessoas na Neo Química Arena. No mesmo fim de semana, clássicos do masculino como São Paulo e Botafogo ou Palmeiras e Internacional levaram menos de 40 mil pagantes, e Fluminense e Corinthians apenas 21 mil. 

Ainda temos muito o que mudar 

Mas é claro que ainda temos muito o que fazer, porque o preconceito está até nos algoritmos. Os primeiros resultados de futebol feminino no YouTube, por exemplo, ainda são ridicularizando as mulheres, com títulos de “piores lances”. E, na mídia, em pleno Mundial, emissoras montaram cabines de transmissão com 100% de homens brancos, ignorando completamente que nós, mulheres, somos 50% dos torcedores. 

Historicamente, nós largamos muito atrás no futebol feminino. Enquanto os Estados Unidos criaram a lei Title IX em 1972, obrigando universidades e escolas a investirem igualmente em bolsas para mulheres, o que criou uma verdadeira potência esportiva com quatro títulos mundiais e cinco ouros olímpicos, aqui no Brasil o futebol feminino ainda era proibido por lei nessa época. 

É cruel comparar, principalmente quando vemos que quase todas as jogadoras americanas atuam nos EUA, enquanto no Brasil pouquíssimas da Seleção jogam por aqui. 

Futebol feminino é diferente 

Mesmo com essas barreiras, o ambiente do futebol feminino é diferente, e eu senti isso na pele. Fui para a Copa do Catar (masculina) e depois para a da Austrália (feminina), e a sensação foi outra. O futebol feminino tem um ambiente acolhedor, onde todo mundo é bem-vindo, sem aquele distanciamento absurdo e sem aquele clima de xingamento. 

Apesar de tudo, nossa seleção feminina chega forte em 2027. Teremos a chance de ver a possível despedida da nossa rainha Marta, aos 41 anos, jogando uma Copa no nosso país. 

A minha grande esperança para 2027, no entanto, não é só a taça. Eu espero que a gente não repita o erro chato que cometemos com a seleção masculina de ficar obcecado por “hexa” o tempo todo. O nosso objetivo e o nosso olhar para essa Copa Feminina têm que ser de futuro. 

Se a gente ganhar, maravilhoso, mas a nossa maior expectativa tem que ser o legado e a potência que o Brasil pode se tornar no futebol feminino a partir desse torneio. 

Assista ao Matinal desta quinta-feira (16/7) na íntegra:

PLAYLISTS