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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva e João Pedro Bitencourt

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Reportagem

Fraude bilionária na Betnacional expõe setor e facilita cerco de Lula, avaliam bets

Sem o escudo de que as falhas ocorrem apenas no mercado paralelo, bets enxergam perda de força política e temem avanço de regras refratárias ao setor

por Gustavo Silva
28/08/2026 às 12:38 · Atualizado há 3 semanas
BET NACIONAL ; DIVULGAÇÃO
BET NACIONAL ; DIVULGAÇÃO

Deflagrada nesta sexta-feira, 28, pela Receita Federal e pelo Ministério Público Federal, a Operação Jogo de Sombras colocou o mercado de bets reguladas em maus lençóis. Grandes nomes do setor temem perder seu principal argumento de defesa no governo: a tese de que os problemas estruturais estão restritos às empresas ilegais. Para executivos da área, a narrativa construída para proteger as empresas reguladas perdeu força e corre o risco de desmoronar diante de um governo Lula que já não nutre qualquer simpatia pelo segmento.

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Segundo fontes que acompanham o mercado de perto, a estratégia do setor sempre consistiu em colocar a culpa pela sonegação, pela falta de auditoria e pelo vício dos apostadores exclusivamente na conta das operações clandestinas. O cenário muda de figura com a investigação de um esquema de lavagem de R$ 5 bilhões e evasão de divisas operado pelo grupo responsável pela Betnacional, uma das maiores operadoras com licença legal no país, avaliam gestores de bets.

A hecatombe atropela os esforços recentes das companhias, que tentavam apenas sair do radar político e evitar turbulências. Como mostrou o Amado Mundo, as bets optaram por congelar as ações no STF e frear o lobby no Congresso, motivadas pelo pânico de virar saco de pancadas nas disputas eleitorais.

Desde meados de março, a avaliação interna dos empresários é de que qualquer exposição pública negativa poderia ser altamente prejudicial aos negócios. Bom, a exposição aconteceu.

Sem o discurso de que as falhas ocorrem apenas no mercado paralelo, grandes nomes do setor avaliam que a operação entregou de bandeja a munição que faltava aos críticos mais rigorosos das bets no Planalto. A leitura entre lideranças do mercado é de que o escândalo facilita enormemente o trabalho da equipe econômica.

O desgaste pavimenta o caminho para Dario Durigan avançar com o plano de tratar as apostas com o mesmo rigor imposto à indústria do tabaco, o que pode culminar no banimento definitivo da publicidade das plataformas no futebol brasileiro e no aumento da tributação do setor.

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Além disso, há um desejo explícito de Lula de banir as bets no país, que agora pode se desdobrar em ações práticas.

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