Reportagem

Casa Brasil de Histórias estreia na Flip 2026 para debater o país por meio dos livros

Novidade da parceria entre Amado Mundo, Janela Livraria e mapa lab expande horizontes em Paraty, com discussões políticas, sociais e democráticas contemporâneas

por Luiza Barufi
14/07/2026 às 15:42 · Atualizado há 3 meses
Irapuã Santana, a ministra Cármen Lúcia, a historiadora Lilia Moritz Schwarcz e o jurista Conrado Hübner Mendes estão entre os debatedores confirmados na casa Brasil de Histórias para a Flip 2026 (montagem com fotos de divulgação)

A história construída no centro histórico de Paraty ganha um novo capítulo. De 23 a 26 de julho, além da tradicional e concorrida programação da casa Caixa de Histórias, o Amado Mundo, a Janela Livraria e a editora mapa lab inauguram sua segunda casa na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip): a Brasil de Histórias. A casa funcionará na Pousada Porto Imperial e tem o patrocínio da Sigma Lithium e parceria com a Audible.

A proposta de dividir a presença em duas frentes responde a um desejo curatorial de dar conta da complexidade dos debates contemporâneos, como explica a  jornalista e curadora Raquel Cozer:

“A proposta de unir nossos diferentes olhares sobre a literatura, nessa equipe curatorial formada por livreiras, editoras e jornalistas, teve um resultado belíssimo no ano passado. A casa veio com encontros memoráveis, como o de Marina Silva com Itamar Vieira Jr. e Ana Rusche. O desafio neste ano foi, sem perder essa identidade de expandir o olhar literário, dividir a proposta para contemplar nossa segunda casa, o Brasil de Histórias. Essa ficou dedicada a discussões sobre o Brasil de um ponto de vista mais político, sociológico, enquanto a Caixa de Histórias mantém o olhar para o mundo com foco maior na literatura”.

Leia também: Caixa de Histórias: confira a programação da casa do Amado Mundo, Janela e mapa lab na Flip 2026

Brasil de Histórias: o livro como ponto de partida para pensar o país

A casa Brasil de Histórias nasce para estreitar os laços entre a literatura, o jornalismo e o pensamento crítico. O novo espaço propõe debates urgentes sobre democracia, segurança pública, direitos, crise climática, cidades, comunicação e economia.

Um dos grandes destaques da programação é a mesa que celebra os 70 anos de uma das maiores obras-primas da nossa literatura, “Grande Sertão: Veredas”, reunindo no mesmo palco a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, a escritora Conceição Evaristo e a jornalista Miriam Leitão, com mediação de Afonso Borges.

O espaço também promoverá debates históricos, com intelectuais como Lilia Moritz Schwarcz e Heloísa Starling, que discutem os novos capítulos da biografia do Brasil neste quarto de século.

Para o jornalista Guilherme Amado, publisher e fundador do Amado Mundo, os dois espaços são complementares e traduzem a alma do portal:

“O Brasil de Histórias e a Caixa de Histórias se complementam perfeitamente e têm tudo a ver com o que é o Amado Mundo. Informação e arte juntas para gerar conversas para uma vida melhor. Filmaremos todo o conteúdo das duas casas, então ninguém precisa ter Fomo (medo de perder algo, na sigla em inglês). Tudo vai estar no Amado Mundo depois para que possa ser assistido, ouvido, apreciado com calma. Voltamos à Flip para gerar conversas capazes de tornar o mundo um lugar melhor”.

Curadoria que transborda afeto em um Brasil de Histórias

Mesmo com a ampliação física e temática dos debates, a essência acolhedora que dita o tom da Janela Livraria e da mapa lab permanece: “Acho que o maior desafio é manter a escala humana. A Flip é enorme, recebe milhares de pessoas, mas queremos que quem entre sinta que entrou numa livraria: um lugar onde existe conversa, escuta e descobertas”, conta a livreira e curadora Martha Ribas. Ela explica que o principal desafio de levar essa estrutura para a Flip é proteger o calor do encontro.

“A curadoria dos livros nasce da programação da casa. Cada mesa é um ponto de partida. Reunimos as obras dos autores convidados, naturalmente, mas gostamos de ir um passo além: buscamos livros que dialogam com aquele encontro, escritores que ampliam a conversa e títulos que ajudam o leitor a continuar refletindo sobre aquele tema depois da Flip.”

Programação Oficial — Brasil de Histórias

Local: Pousada Porto Imperial (Rua Ten. Francisco Antônio, s/n – Centro Histórico – Paraty/RJ)

Quinta-feira | 23 de julho

  • 11h — Vidas paralelas: amor, identidade e os corpos que inventamos
    Com Alexandre Vidal Porto e Luiza Fariello. Mediação: Luiza Barufi
  • 14h – Afiadas: o humor como ferramenta de transformação
    Com Barbara Duvivier, Mayra Cotta e Milly Lacombe. Mediação: Alana Rizzo
  • 15h — Confluentes na Flip – Segurança pública: vigilância, dados e liberdade de circulação
    Com Bruno Paes Manso, Michele Gonçalves e Raull Santiago. Mediação: Aline Midlej
  • 17h – Utopia pragmática: a arte de construir futuros
    Com Ricardo Henriques, Pedro Tourinho e Conrado Hübner Mendes. Mediação: Johanna Nublat
  • 18h — O futuro da televisão brasileira: entre a praça pública e o algoritmo
    Com Alana Rizzo, Ernesto Rodrigues e Beth Carmona. Mediação: Muka

Sexta-feira | 24 de julho

  • 11h — O Brasil sob disputa: Crime, Estado e democracia
    Com Bruno Paes Manso, Marcelo Freixo e Cecília Olliveira. Mediação: Beatriz Boghossian
  • 13h – Raça, gênero, crime e justiça: quem a segurança pública protege?
    Com Pierpaolo Cruz Bottini, Irapuã Santana e Nana Queiroz. Mediação: Raull Santiago
  • 14h – Escrever um país em guerra
    Com Andrei Kurkov, entrevistado por Paulo Dalla Nora Macedo e Diogo Bercito
  • 15h — A força da reportagem na democracia
    Com Bernardo de Mello Franco e José Henrique Bortoluci. Mediação: Katia Brembatti
  • 16h — Depois do fim
    Com Sérgio Abranches, Leonardo Piana e Ana Rüsche. Mediação: Luiza Barufi
  • 17h — Cartografias afetivas
    Com Paula Macedo Weiss, Tracy Mann e Carmen Stephan. Mediação: Jana Viscardi
  • 18h30 — “Brasil: uma biografia”. Que novos capítulos já escrevemos neste quarto de século?
    Com Lilia Moritz Schwarcz e Heloísa Starling. Mediação: Guilherme Amado

Sábado | 25 de julho

  • 10h — Quem matou a política? Uma conversa sobre os suspeitos pelo colapso político no Brasil
    Com Tomás Chiaverini, Anna Virginia Balloussier e Allan de Abreu. Mediação: Katia Brembatti
  • 11h — Esquemas do cotidiano: onde começa a corrupção?
    Com Jessé Andarilho e Bruno Brandão. Mediação: Allan de Abreu
  • 13h — A imaginação entra em campo
    Com Carlos Vieira (presidente da Caixa Econômica Federal) e André Fernandes. Mediação: Camila Perlingeiro
  • 14h — Inteligência artificial: quem educa o futuro?
    Com Eduardo Saron, Estela Aranha e Dora Kaufman. Mediação: Clara Becker
  • 15h — Literatura e História: Sempre um papo 40 anos, e Grande Sertão, 70 anos
    Com Conceição Evaristo, Cármen Lúcia e Miriam Leitão. Mediação: Afonso Borges
  • 16h — Exibição do documentário “Anatomia do Caos”
    Direção de Dandara Ferreira
  • 18h — Como narrar uma crise
    Com João Cezar de Castro Rocha, Dandara Ferreira e Guilherme Amado. Mediação: Beatriz Bulla

Domingo | 26 de julho

  • 10h — Juízes, poder e influência: quem vigia os guardiões?
    Com François Valérian e Conrado Hübner Mendes. Mediação: Beatriz Bulla

Como participar

  • Onde: Casa Brasil de Histórias — Pousada Porto Imperial (Rua Ten. Francisco Antônio, s/n. Centro Histórico, Paraty/RJ)
  • Entrada franca: as mesas são 100% gratuitas, sem necessidade de inscrição prévia. A entrada é feita por ordem de chegada e sujeita à lotação do espaço
  • Transmissão online: quem não estiver em Paraty poderá acompanhar algumas mesas ao vivo pelo canal oficial do Amado Mundo no YouTube. A programação das transmissões e os links serão divulgados no Instagram @amado.mundo
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