Reportagem

Flávio Bolsonaro e aliados usam apostas do Polymarket como pesquisa eleitoral

Juristas alertam que publicações de Flávio violam a legislação eleitoral ao apresentar mercados de apostas preditivas como se fossem pesquisas registradas

26/09/2026 às 05:50 · Atualizado há 2 semanas
Flávio bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência (Foto: Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro)

Pelo menos dez candidatos das eleições de 2026, incluindo o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), passaram a divulgar dados de plataformas de mercados de previsão, como Polymarket e Kalshi, simulando resultados de pesquisas eleitorais. Uma investigação do portal Núcleo revelou que as postagens mostram gráficos de probabilidades para sugerir uma suposta vantagem de Flávio sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Flávio incentiva distorção metodológica e violação de regras

O movimento se intensificou após o perfil internacional do Polymarket no X (antigo Twitter) publicar um gráfico indicando que Flávio Bolsonaro teria atingido 58% de chances de vitória. A publicação foi amplamente comemorada e replicada por parlamentares e candidatos do PL e de outros partidos aliados, como Mário Frias (PL-SP), Mauricio Marcon (PL-RS), Bibo Nunes (PL-RS) e Rodrigo Lima (Novo-PB). Em São Paulo, o deputado Major Mecca (PL-SP) chegou a investir entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil no impulsionamento pago de um anúncio com os dados no Instagram e Facebook, alcançando cerca de 300 mil impressões.

Juristas ouvidos pela reportagem do Núcleo explicam que a prática viola o artigo 33 da Lei das Eleições (Lei 9.504/97), que proíbe a divulgação de levantamentos sem registro prévio na Justiça Eleitoral — infração sujeita a multas entre R$ 54 mil e R$ 100 mil. Especialistas ressaltam que mercados de previsão não refletem a intenção de voto do eleitorado, mas sim a movimentação financeira de um grupo restrito de apostadores.

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Ações regulatórias e bloqueios

Apesar de as plataformas de mercados de previsão estarem proibidas de operar no Brasil desde abril de 2026 pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), os perfis das empresas em redes sociais sem acordo com o Conselho Digital continuavam acessíveis. Contudo, após revelações da investigação do Núcleo, a conta do Polymarket voltada ao público brasileiro no Instagram foi derrubada a pedido das autoridades.

Nota de Crédito: este texto é um resumo condensado elaborado com base na reportagem investigativa original “Flávio Bolsonaro e aliados divulga apostas do Polymarket como pesquisa eleitoral”, escrita pela jornalista Jeniffer Mendonça, publicada pelo portal Núcleo em 24 de setembro de 2026. A investigação faz parte do LIE (Laboratório de Investigação Eleitoral), uma coalizão jornalística que reúne a Agência Pública, o Amado Mundo, o Aos Fatos e o Núcleo Jornalismo. Para conferir a apuração na íntegra e com todos os detalhes das publicações, acesse o artigo completo no Núcleo.

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