‘Não tem racionalidade eleitoral’, avalia consultor político sobre investida de Flávio contra as urnas
Para o analista Rafael Cortez, o abandono da 'casca de moderação' e o questionamento contra as urnas servem para criar um ambiente político propício a intervenções externas

Nesta semana, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL Flávio Bolsonaro ressuscitou uma teoria da conspiração já amplamente desmentida pela Justiça Eleitoral, ao afirmar a embaixadores e representantes diplomáticos que as urnas eletrônicas brasileiras seriam problemáticas por terem a mesma origem das máquinas da empresa venezuelana Smartmatic.
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A comparação é falsa: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já esclareceu que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou softwares para as eleições no Brasil, prestando apenas serviços de conexão de dados em contratos antigos e chegando, inclusive, a perder a licitação para a desenvolvedora brasileira. O episódio repete exatamente o roteiro de Jair Bolsonaro em 2022, que atacou o sistema eleitoral diante de embaixadores e acabou condenado à inelegibilidade por abuso de poder político.
Mas qual o sentido de repetir uma tática que já fracassou? Para o consultor político da Tendências Consultoria Rafael Cortez, o movimento do senador desafia a lógica das campanhas políticas.
“Eu não consigo encontrar a racionalidade eleitoral da fala do Flávio. Acho muito difícil a gente encontrar alguma sugestão de evidência de que valeria a pena esticar a corda”, disse, durante o Matinal, do Amado Mundo, desta quarta-feira (22/7).
Matemática eleitoral de Flávio não fecha
Segundo o especialista, a única matemática possível para a campanha de Flávio é atrair os eleitores que não gostam e desaprovam o governo Lula, mas que são independentes. A radicalização sobre as urnas, no entanto, gera o efeito oposto, estimulando a abstenção ou o voto nulo no segundo turno.
“Quando Flávio faz isso, dificulta virar. E aí, basicamente, mesmo que não mexa uma agulha nas intenções de voto do presidente Lula, essa agenda já afasta Flávio por essa questão matemática. O estoque de votos vai diminuir, porque esse é um tema que dificilmente vai mobilizar esses eleitores independentes”, avalia.
Se a matemática eleitoral não fecha, ele argumenta que a explicação para a radicalização pode estar na profunda divisão interna do PL e na busca de protagonismo.
Bolsonarismo está rachado
Apesar de as pesquisas de segundo turno mostrarem um cenário de razoável equilíbrio, a candidatura de Flávio enfrenta fraturas públicas dentro de seu próprio partido, incluindo críticas abertas do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
Cortez explica que o Centrão e a ala política de Valdemar preferiam que o projeto eleitoral passasse pelo governador Tarcísio de Freitas, mas Bolsonaro impôs a candidatura de Flávio, com uma estratégia que visa antes à manutenção do poder de seu clã do que a uma vitória efetiva.
“Já seria uma vitória política sair da eleição de 2026 com o bolsonarismo sendo a força dentro do antipetismo com maior prestígio”, explicou.
Assista ao Matinal desta quarta-feira (22/7) na íntegra: