‘É improvável que família Bolsonaro retire candidatura de Flávio’, diz cientista político
Para Fábio Vasconcellos, por questões de 'sobrevivência política', família Bolsonaro não vai apoiar Zema nem Caiado, mas, sim, vai torcer para que investigações sobre Vorcaro levem até a esquerda e o PT

Em meio a polêmicas envolvendo a relação entre Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, a campanha eleitoral do senador à presidência da República parece ter chegado a um ponto crítico. Em entrevista ao Matinal desta segunda-feira (18), o jornalista e cientista político Fábio Vasconcellos afirmou que a revelação da relação entre os dois abalou significativamente a campanha do filho do ex-presidente.
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“A campanha está na defensiva e, para uma campanha eleitoral, a sua ação de defensiva é uma tragédia, porque ele não consegue falar de outro tema. Ele vai ser perguntado sobre isso e vai ter que responder, então fica numa situação bastante ruim do ponto de vista argumentativo e de convencer o seu eleitor”, analisou.
A campanha de Flávio chegou a esse ponto de “defensiva” após o “Intercept Brasil” revelar que ele teria solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro para produzir o filme “Dark horse”, cinebiografia sobre a vida de Jair Bolsonaro.
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A origem do financiamento chama a atenção não só por envolver o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por supostos desvios financeiros no Banco Master, mas pelo valor estimado para a produção do filme se aproximar do orçamento de grandes obras internacionais premiadas, como “Conclave”, que custou US$ 20 milhões, e “A substância”, que teve orçamento de US$ 17,5 milhões.
Segundo o cientista político, mesmo com as polêmicas, é improvável que a família Bolsonaro retire o nome de Flávio da disputa presidencial deste ano. A estratégia mais possível agora seria tentar conter o desgaste causado pelo escândalo e torcer para que novas linhas investigativas do Master passem a envolver setores da esquerda e o Partido dos Trabalhadores, do qual o presidente Lula faz parte.
“Então, acho que vai ser, sim, Flávio o candidato, ou alguém da família Bolsonaro, com menos possibilidade, em razão desse capital político que é muito grande, muito forte, vai enfrentar essa campanha negativa, essa situação defensiva, e vai torcer para que a Copa do Mundo chegue logo, vai torcer para que, quem sabe, a seleção ganhe, para que as férias apareçam, para que esse assunto se dilua, e vai torcer mais ainda para que fatos sobre o caso Vorcaro passem a envolver segmentos do campo da esquerda, o PT da Bahia, por exemplo”, afirmou Vasconcellos em entrevista aoAmado Mundo.
Ainda segundo ele, também é pouco provável, por uma questão de “sobrevivência política”, a família Bolsonaro desistir de Flávio para apoiar Zema ou Caiado.
Assista à entrevista completa do Matinal desta segunda: