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Reportagem

Os filmes sobre bets que a Lei Rouanet vai incentivar

Ministério da Cultura autoriza produtora paulista a captar quase R$ 3 milhões via Lei Ruouanet para documentário e websérie sobre a expansão de bets no Brasil

por Gustavo Silva
Publicado em 15/09/2026 às 10:00
BETS
Bets / Photo by Jean-Marc Barrère / Hans Lucas via AFP)

Pelo visto, nem a cultura conseguiu deixar as bets de fora. A onipresença das casas de apostas no Brasil é tamanha que a pauta acaba de desembarcar em uma seara inédita: a Lei Rouanet.

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O Ministério da Cultura aprovou nesta sexta-feira, 11, dois projetos audiovisuais que mergulham no submundo e na burocracia da jogatina.

Ambos são da mesma produtora paulista, a FM Arte Cultura e Educação, que recebeu o aval para captar exatos R$ 2,99 milhões em incentivos fiscais.

Por trás da empresa está Luís Filippe Moura de Toledo, gestor e produtor cultural de São Paulo, que tem atuação prévia focada no setor musical.

O primeiro é o documentário “Entre o jogo e a regra”, orçado em R$ 1,499 milhão. A ideia do média-metragem é contar a história da regulamentação do setor no país, passando pelo antigo mercado informal até chegar ao cenário atual. Promete ouvir de agentes públicos aos próprios apostadores.

A proposta do filme, segundo o aval do próprio Ministério da Cultura, é “analisar os impactos econômicos, sociais, culturais e de saúde pública derivados desse mercado”.

O segundo vai na linha do drama. “O Preço do Jogo”, com R$ 1,498 milhão liberados via Lei Rouanet, será uma websérie ficcional focada nos estragos da ludopatia, o vício em apostas.

O texto chancelado pelo governo detalha que a obra visa “dramatizar os riscos desse vício na sociedade contemporânea”.

A obra terá duas temporadas muito ancoradas no noticiário recente. A primeira vai focar nos impactos financeiros e na pressão social do vício entre menores de 18 anos; a segunda jogará luz sobre a coação de aliciadores de apostas sobre jovens atletas de categorias de base e de clubes das séries C e D.

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A produtora tem até o dia 31 de dezembro para bater à porta das empresas e transformar a autorização do governo em dinheiro no caixa.

Como o mecanismo da lei funciona via captação de recursos junto à iniciativa privada, a empreitada guarda uma ironia: mesmo com as produções apresentando um viés que expõe as feridas do setor, as próprias casas de apostas adoram atrelar suas marcas a campanhas de “jogo responsável” para mostrar que se importam com a ludopatia.

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