‘Naza’ é filme obrigatório para quem quer saber o que realmente ocorre em Gaza
O documentário 'Naza', premiado no início de setembro no Festival de Veneza, chega aos cinemas nesta quinta (1º/10)

Já tinha ouvido de “Naza” pelos meus colegas que cobriram o Festival de Veneza, no início de setembro. Só escutei elogios ao filme, que chegou voando ao Brasil, sem passar pelo Festival do Rio nem pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e estreia nesta quinta (1º/10) nos cinemas. De Veneza, saiu com o Prêmio Especial do Júri, entregue aos cineastas Yuval Abraham e Rachel Szor, a mesma dupla que, em 2025, levou o Oscar de melhor documentário por “Sem chão”. Torço para “Naza” estar no Oscar de 2027.
Diretores de ‘Naza’ não retornaram a Israel após o Festival de Veneza
Yuval e Rachel compraram uma briga com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o governo israelense, que proibiram a exibição do filme no país e querem retirar a nacionalidade deles. Desde setembro, Yuval e Rachel não retornaram a Israel, estão exilados e rodando o mundo para participar de outros festivais de cinema. Eles querem mostrar ao maior número de pessoas possível as atrocidades que Israel está cometendo, desde o início da guerra, em Gaza.
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O documentário, produzido pelo jornal inglês “The guardian”, é, basicamente, uma compilação de trechos de entrevistas com 24 oficiais de inteligência e soldados das Forças de Defesa de Israel. A voz e a aparência deles foram modificadas por inteligência artificial, e as filmagens ocorreram à noite na sacada de um apartamento em Tel-Aviv. Há pouquíssima luz. A fotografia ficou a cargo de Rachel enquanto Yuval colhe os depoimentos.
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As declarações são estarrecedoras. Para você ter uma ideia, Naza é um código para determinar quantas pessoas podem morrer durante um ataque. Foram quinze naza, por exemplo – e isso inclui homens, mulheres e crianças. A IA é usada para localizar, pelo número do telefone, onde estariam os terroristas do Hamas. Caso o inimigo esteja num edifício com a família, o ataque é realizado sem nem pensar em quantos civis também moram no mesmo prédio.
Os entrevistados, embora transparentes nas declarações, são frios. Poucos conseguem responder à pergunta: “por que matar civis?”. Os que respondem justificam que estavam em missões e que já exterminaram milhares de pessoas. Para dar certo dinamismo no formato jornalístico, os diretores captam imagens de Tel Aviv, sempre a distância, seja dos edifícios, das praias, da Cinemateca.
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A pedrada é reservada para os últimos minutos. Depois de mais de uma hora de depoimentos, vê-se a cruel realidade com cenas chocantes de Gaza destruída. Não é uma questão de política, de quem tem ou não tem razão. Criticar o que ocorre por lá é uma questão de humanidade.
Para quem não conseguir ver “Naza” nos cinemas, o site do “The Guardian” vai disponibilizar o filme gratuitamente em novembro.