Fifa recebe recomendação para adiar França x Paraguai; horários de domingo são mantidos
França e Paraguai jogarão na Filadélfia, região que sofrerá com onda de calor neste sábado; sensação térmica pode ir a 46ºC; Fifa mantém horários de domingo

A Fifa foi orientada a cancelar a partida entre França e Paraguai, prevista para este sábado (4/7), válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, em decorrência de uma forte onda de calor que deve atingir cidades do leste e centro dos Estados Unidos. O adiamento foi proposto por especialistas e pela Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPRO).
Os índices de calor máximos podem ficar entre 37°C e 46°C, segundo informações divulgadas pelo serviço de meteorologia do país. Uma pesquisa produzida por cientistas para o grupo World Weather Attribution (WWA) detalha que os índices de calor e umidade previstos para este fim de semana seriam considerados extremamente altos e raros, mesmo com as constantes mudanças climáticas identificadas no planeta.
Segundo o estudo divulgado pelo grupo especializado em questões climáticas, a onda de calor está sendo impulsionada por um forte sistema de alta pressão, uma “cúpula de calor”, que aprisiona o ar quente e úmido como uma tampa sobre grande parte das regiões central e leste do país, envolvendo, também, o sul do Canadá.
O duelo entre França e Paraguai está previsto para ser disputado na Filadélfia, uma das regiões mais castigadas pela onda de calor. A recomendação de adiamento, realizada especialmente para este evento, aponta que a temperatura deve ultrapassar os 37°C já no início do jogo.
As temperaturas diurnas em muitas cidades do centro e do leste dos Estados Unidos estão ultrapassando os 38°C, segundo o estudo. Porém a sensação térmica é de temperatura ainda maior, quando se considera a umidade.
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Pedido afeta jogo do Brasil na Copa?
O pedido de adiamento divulgado foi exclusivamente para o jogo envolvendo franceses e paraguaios. Sobre as partidas marcadas para o domingo (5/7), a Fifa confirmou que os horários dos jogos serão mantidos, segundo apuração do site “The Athletic”. O Brasil enfrenta a Noruega às 17h, em Nova Jersey, e o México encara a Inglaterra às 21h, na Cidade do México.
Antes do início do mundial, a entidade informou publicamente que as partidas ao ar livre previstas para dias e horários com picos de calor foram identificadas, e que a ideia foi planejar a realização destes confrontos em estádios cobertos e climatizados.
Também por questões climáticas, a Fifa considerou alterar o horário da partida entre México e Inglaterra, segundo o jornal The Athletic. A ideia era antecipar o confronto em decorrência de um suposto risco de interrupções causadas por mudanças climáticas, com possibilidade de inundações.
A Fifa aderiu aos protocolos climáticos dos Estados Unidos nesta Copa do Mundo e, mesmo com o jogo marcado para a Cidade do México, a partida seria interrompida caso fossem identificados raios ou fortes chuvas na região em que o evento é realizado.
Estudo da FIFPRO
A Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPRO) realizou um estudo para compreender como o calor extremo pode afetar os atletas durante as partidas. A pesquisa foi feita com 12 jogadores de futebol, que não são contratados de clubes profissionais, e que participavam de uma pré-temporada em 2025.
Os jogadores foram monitorados durante duas partidas de 90 minutos, quando a temperatura ambiente ultrapassou os 32°C e as temperaturas de bulbo úmido e globo, que mede o resfriamento pela evaporação e indica a umidade do ar, ultrapassaram os 28°C.
Durante as partidas, diversas estratégias foram implementadas, como pausas para resfriamento a cada 15 minutos. Também foram feitas comparações em relação à distância percorrida, aceleração, desaceleração, sprint, frequência cardíaca, níveis de desidratação e temperatura corporal central.
“As altas temperaturas influenciam o desempenho dos jogadores e podem afetar negativamente a sua saúde. Em alguns casos, o calor excessivo pode levar à insolação, por isso essa é uma área em que a FIFPRO se mantém, logicamente, proativa e progressista”, analisou Vincent Gouttebarge, diretor médico da FIFPRO, após verificar os resultados.
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O problema foi identificado muito antes da Copa do Mundo de 2026. O calor extremo foi uma preocupação constante no Mundial de Clubes da Fifa do ano passado, em que os atletas jogaram com temperaturas que chegaram aos 37°C.
“Sinceramente, o calor está enorme. Tive que me deitar no chão porque estava realmente tonto. Jogar nessa temperatura é muito perigoso”, afirmou o meio-campista Enzo Fernández, campeão com o Chelsea, da Inglaterra, na oportunidade. O atleta também faz parte da seleção da Argentina que está disputando a Copa.
O limite padrão da Fifa para pausas para resfriamento é de 32°C, considerando temperaturas de bulbo úmido e globo.
A FIFPRO argumenta que as diretrizes atuais não são suficientes para proteger a saúde e o desempenho dos jogadores. A recomendação é de que sejam introduzidas pausas quando a temperatura de bulbo úmido e globo ultrapassarem os 26°C, e que as partidas sejam adiadas se as temperaturas excederem os 28°C.
*Com informações da AFP