Reportagem

Projeção de R$ 45 bilhões: Copa de 2026 é a mais lucrativa da história da Fifa

Entidade máxima do futebol mundial divulgou orçamento e apontou detalhes de recorde de arrecadação

por Weslley Neto
17/07/2026 às 06:00 · Atualizado há 3 meses
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante a Copa do Mundo de 2026
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante a Copa do Mundo de 2026 (Reprodução/Instagram)

Vencida pela Espanha, a Copa do Mundo de 2026 já é considerada o maior sucesso da história da Fifa, segundo uma projeção realizada no orçamento divulgado pela entidade no último domingo (12).

A Fifa prevê uma arrecadação recorde somente com o torneio disputado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, estimada em US$ 8,911 bilhões (R$ 45,7 bilhões). O valor representa 68% dos quase US$ 13 bilhões (R$ 66,7 bilhões) de arrecadação prevista, considerando todo o ciclo financeiro, entre 2023 e 2026.

Caso a projeção se confirme, a arrecadação com a Copa do Mundo de 2026 supera, com sobras, o valor de US$ 6,31 bilhões (R$ 32 bilhões) arrecadado com o Mundial disputado no Catar, em 2022 — até o momento, esse era o recorde obtido pela Fifa considerando os lucros com a realização dos torneios de seleções.

O orçamento da Fifa aponta que o principal motivo para o salto nos lucros foi o aumento do número de partidas na Copa do Mundo, partindo de 64 para 104 jogos neste novo formato, com 48 seleções. Essa mudança aumentou a oferta de ingressos, além de criar novos espaços comerciais e despertar o interesse das plataformas que buscaram os direitos oficiais de transmissão.

As fontes de receita da Fifa

A principal fonte de arrecadação da Fifa é a venda dos direitos de transmissão para emissoras e diferentes plataformas. A projeção da entidade aponta que esta prática renderá US$ 3,925 bilhões (R$ 20,1 bilhões) aos cofres da Fifa neste Mundial — 44% de toda a receita prevista para a competição.

O segundo maior faturamento vem da comercialização de ingressos e pacotes de hospitalidade, com valores calculados em US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões). Além do aumento do número de jogos, o relatório da Fifa destacou as altas capacidades de público dos estádios escolhidos nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

US$ 1,7 bilhão (R$ 9,1 bilhões) foi arrecadado com ações de marketing e contratos de patrocínio, além de licenciamentos de marca e outras ações programadas pela entidade no período do Mundial.

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Investimento na organização do torneio

O orçamento da Fifa prevê que foram gastos US$ 3,7 bilhões (R$ 19,2 bilhões) para a realização e organização da Copa do Mundo de 2026. Além da operação do evento e da ampliação de serviços de hospitalidade, a entidade também aumentou os seus gastos em decorrência do aumento de equipes disputando a competição.

A Fifa aprovou uma premiação de US$ 871 milhões (R$ 4,4 bilhões) para ser repartida entre todas as seleções participantes da Copa do Mundo. O valor é considerado um recorde e mostra como a entidade buscou ampliar investimentos na organização do torneio. Cada seleção receberá, de acordo com a estimativa, US$ 12,5 milhões (R$ 64,1 milhões).

O relatório aponta que a entidade máxima do futebol mundial investiu, ao todo, US$ 12,9 bilhões (R$ 66,2 bilhões) durante todo o ciclo de Copa, de 2023 a 2026. O excedente financeiro gerado pela competição será reinvestido em programas de desenvolvimento do futebol por meio das 211 associações nacionais filiadas, conforme apontado pelo orçamento.

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Economia movimentada

Diversos setores da economia se beneficiaram com a realização da Copa do Mundo, segundo o relatório. Entre as empresas com crescimento registrado durante o período, aparecem operadoras de alimentos e de bebidas alcoólicas vendidas nos estádios nos dias de partidas. O gasto médio do torcedor que acompanhou os jogos da Copa do Mundo chegou a ser de US$ 100 (R$ 509) por pessoa com alimentação nos jogos (sem contabilizar o valor do ingresso nem transporte). Segundo a agência Bloomberg, o investimento é duas vezes maior em relação ao que acontece durante partidas da NFL, a liga profissional de futebol americano, nos mesmos estádios norte-americanos em que o Mundial foi disputado.

O Bank of America relatou um aumento de 6,3% nos gastos realizados com cartões de crédito e débito nas cidades que recebem jogos da Copa do Mundo. A comparação foi realizada com base nos dados registrados entre junho e julho de 2025.

A Copa mais lucrativa da história terminou neste domingo, 19, com a vitória da Espanha sobre a Argentina por 1 a 0, na prorrogação. Os espanhóis conquistaram seu segundo campeonato mundial e impediram o tetra dos argentinos, liderados por Lionel Messi.

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