Reportagem

Fábio Faria vai à Justiça contra veículos e perfis por postagens sobre festa de Vorcaro

Ex-ministro de Jair Bolsonaro, Fábio Faria decide partir para o ataque contra quem, em sua avaliação, estaria atribuindo a ele "condutas falsas"

13/09/2026 às 20:49 · Atualizado há 3 semanas
Fábio Faria
Ex-ministro de Jair Bolsonaro, Fábio Faria teve conversas com Daniel Vorcaro reveladas (foto/reprodução/Instagram)

Ex-ministro das Comunicações no governo de Jair Bolsonaro, Fábio Faria decidiu recorrer à Justiça contra veículos de imprensa e pessoas por alegadamente terem atribuído a ele, com base em mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, condutas que o ex-deputado federal considera falsas. A informação foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da “Folha de S.Paulo”.

Segundo a defesa de Faria, o ex-ministro pretende processar quem usou os diálogos para afirmar ou mesmo insinuar que ele teria participação em supostos esquemas do banqueiro. Faria também pediu que os advogados mapeiem perfis que criaram memes ou impulsionaram publicações com anúncios pagos. A motivação declarada é o que um interlocutor descreveu como “consequências graves para a família” do ex-ministro, marido da apresentadora Patrícia Abravanel.

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O que diz a defesa de Fábio Faria

Os advogados sustentam que o papel de Faria se limitou a repassar, a pedido de Vorcaro, convites para autoridade citadas nas conversas. Afirmam ainda que ele conhecia o banqueiro havia apenas 15 dias quando as mensagens foram trocadas. Para comprovar que nenhuma das autoridades mencionadas compareceu ao evento, a defesa diz dispor de agendas oficiais, registros de voos da FAB e informações sobre voos oficiais.

O que revelam as mensagens

O material foi extraído pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e integra um relatório de 218 páginas produzido em agosto de 2026, no âmbito da Petição 15.556 — a mesma que levou o Supremo Tribunal Federal a uma crise sem precedentes. As conversas descrevem a articulação de uma festa privada de Halloween realizada em 31 de outubro de 2023 no Madame Underground Club, o Madame Satã, na Bela Vista, em São Paulo.

O evento teria reunido cerca de 140 pessoas — 120 mulheres e 20 homens — e teve proibição total de celulares. Segundo a PF, Faria atuou diretamente na montagem da lista de convidados. Em 24 de outubro daquele ano, informou ao banqueiro o que foi entendido como se os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco tivessem confirmado presença, e que também havia convidado o ministro Dias Toffoli, do STF. “Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb”, escreveu.

Nas mensagens, Faria relata que Alcolumbre perguntava sobre a presença das chamadas “suíças” — modelos estrangeiras que já teriam participado de outras festas do tipo patrocinadas pelo banqueiro. Em um áudio transcrito pela PF, o ex-ministro diz que afirmava a colegas que dormiria em Brasília, “só pra dar confiança pros caras”, e menciona a possibilidade de levar “o Alexandre” ao evento — apontado na investigação como referência a Alexandre de Moraes.

Leia também: Lula cita ‘orgias’ de Vorcaro e ‘suíças’ ao celebrar fim do sigilo do Master

Faria também demonstrou temor com vazamentos, citando a repercussão de uma festa do jogador Neymar para sugerir a redução do número de brasileiras. Vorcaro respondeu que adotaria medidas para impedir registros: “Sem telefone total. Só menina nova. Metade de fora e as daqui conhecemos.” O banqueiro ainda definiu a versão pública caso o encontro viesse a público: “Se alguém falar algo, era evento do banco para parceiros de Halloween.”

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A relação com Vorcaro

Segundo a revista “piauí”, que revelou as mensagens, Faria e Vorcaro se conheceram em outubro de 2023, durante um evento no exterior, e, menos de duas semanas depois, o ex-ministro já articulava encontros entre o banqueiro e autoridades em Brasília. Relatórios da PF também apontam Faria como intermediador de contatos entre Vorcaro e Moraes.

A defesa do ex-ministro nega irregularidades: afirma que ele apenas sugeriu um escritório de advocacia para atuação em um caso na Justiça de São Paulo, que não se reuniu com integrantes do Master e que não teve conhecimento de valores de contrato. Os demais citados nas mensagens — incluindo as agências de modelos e o Madame Satã — também negaram participação ou intermediação. A simples menção de um nome nas conversas não constitui, por si só, prova de crime.

O anúncio da ação judicial ocorre no momento mais delicado da crise do caso Master, às vésperas do julgamento de terça-feira, 15/9, em que o plenário do STF decidirá se abre investigação contra Alexandre de Moraes.

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