Entrevista

Família Bolsonaro é subserviente a Trump e ignora interesses nacionais, diz Marina Silva

Candidata ao Senado por SP, Marina critica os Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas pelo alinhamento incondicional a Donald Trump e suas medidas

28/07/2026 às 14:44 · Atualizado há 3 meses
Marina Silva
Ministra Marina Silva (Foto de Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, Marina Silva (Rede) avalia que a família Bolsonaro e líderes como o presidente argentino, Javier Milei, são “subservientes a Trump” e “incapazes” de resguardar os interesses estratégicos, econômicos, sociais e políticos do Brasil e da região. 

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 Durante entrevista ao programa Matinal, do Amado Mundo, desta terça-feira (28/7), Marina criticou a postura diplomática e ideológica do grupo e afirmou que lhes falta competência para diferenciar relações político-ideológicas daquelas que devem ocorrer de forma institucional entre Estados soberanos. 

“Pessoas como o presidente Milei, como a família Bolsonaro, são tão subservientes a Trump que são incapazes de resguardar o que é estratégico para a nossa região e para os interesses econômicos, sociais e políticos do nosso país”, disse. 

Bolsonaro, chapéu de Trump e prejuízo bilionário 

A crítica da ex-ministra se estende aos impactos econômicos dessa postura, especialmente diante da recente taxação imposta pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. Segundo Marina, as tarifas americanas causarão um prejuízo de mais de US$ 11 bilhões à economia brasileira, com São Paulo como um dos principais alvos, com perda estimada em cerca de US$ 4 bilhões. 

Ela aproveitou para criticar o que chamou de “inércia” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). 

“Eu vejo alguns líderes políticos que colocam o chapéu do Trump e não colocam o chapéu dos interesses do Brasil. É muita contradição”, afirmou – em referência à hoje célebre foto tirada por Tarcísio com o boné vermelho do movimento trumpista de extrema direita, o Maga (Make America Great Again).

Ela ainda defendeu que a justificativa americana para a nova tarifa cita o desmatamento ilegal, cujo pico histórico recente ocorreu em 2021, justamente durante a gestão de Jair Bolsonaro, a quem Tarcísio jura lealdade. 

Disputa por São Paulo e a privatização da generosidade

Disputando uma vaga no Senado por São Paulo, Marina também rebateu as críticas do governador Tarcísio de Freitas sobre o fato de ela não ser originária do estado. Ela lembrou que, assim como Tarcísio — que é do Rio de Janeiro—, ela mudou seu domicílio eleitoral do Acre para São Paulo em 2022, ano em que elegeu-se deputada federal e ele, governador. 

“Acho que, como ele tem a prática de querer privatizar o resto, ele quer privatizar até a generosidade do povo paulista”, ironizou. “Pessoas que têm dois pesos e duas medidas sempre praticam esse tipo de discurso injusto, porque se medem de um jeito e medem os outros de outro.” 

Críticas aos problemas estaduais e à Sabesp

Ao focar nos problemas paulistas, a candidata alertou para a piora nos índices de segurança pública e destacou o aumento da letalidade policial e o crescimento de 37% nos casos de feminicídio no estado desde 2022. Além disso, criticou o atraso da educação de São Paulo em comparação a outros estados e atacou duramente os resultados iniciais da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

“Hoje as pessoas estão recebendo água de péssima qualidade, isso quando tem água, (porque) estão fazendo cortes seletivos para as comunidades periféricas, estão cobrando o dobro da conta de água para essas comunidades”, denunciou. 

A saída do governo em 2008 e o compromisso ecológico atual

Sobre sua trajetória e a relação com o presidente Lula, Marina aproveitou a entrevista para esclarecer os motivos de sua saída do Ministério do Meio Ambiente em 2008. Ela desmentiu que o rompimento ocorreu devido à usina de Belo Monte — cuja licença foi dada apenas em 2011. 

“O que me tirou do governo foi o fato de que líderes políticos de diversos partidos se opuseram às ações de prevenção e controle do desmatamento que tínhamos que tomar”, destacou. 

Atualmente na base do terceiro mandato de Lula, ela celebrou o compromisso do governo em zerar o desmatamento até 2030 e ressaltou as bases financeiras que ajudou a pavimentar antes de deixar a pasta novamente.

Assista ao Matinal desta terça-feira (28/7) na íntegra: 

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