Fachin tira investigação de Mendonça pedida por Moraes do inquérito das fake news
Em mais um capítulo do embate dentro do STF, presidente da Corte decide barrar decisão de Moraes sobre Mendonça

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin retirou do inquérito das fake news o pedido feito por Alexandre de Moraes para investigar o colega André Mendonça. Em despacho de instrução assinado nesta sexta-feira (4/9), Fachin determinou que a petição de Moraes seja desentranhada desse inquérito e anexada ao procedimento aberto para apurar os indícios levantados pela Polícia Federal contra o próprio Moraes.
Leia também: Lula e vale-tudo entre Moraes e Mendonça ampliam pressão sobre Fachin
Isso significa que o pedido de Moraes deixa de tramitar dentro do inquérito das fake news, sob pressão para ser extinto, e passa a integrar o processo que reúne o material da PF sobre a conduta do ministro, incluindo as mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
No despacho, Fachin justifica a medida pela “necessidade de adequada instrução do feito para a apreciação da admissibilidade e da regularidade do procedimento adotado pelo Ministro Alexandre de Moraes, bem como, se for o caso, das imputações nele deduzidas”.
Fachin pede parecer à PGR
Para isso, o presidente do STF pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que apresente em cinco dias úteis um parecer sobre a admissibilidade e a regularidade do procedimento e, se entender pertinente, sobre as imputações feitas por Moraes. Em seguida, o mesmo prazo de cinco dias úteis será aberto a Mendonça, para que se manifeste “acerca da forma, do conteúdo e da regularidade do procedimento”, incluindo aspectos processuais que considerar relevantes.
Como a segunda-feira, 7 de setembro, é feriado, os prazos somados devem se encerrar em 21 de setembro, embora tanto a PGR quanto Mendonça possam se antecipar e protocolar suas manifestações antes disso. Encerrada essa etapa, os autos voltam a Fachin, que decidirá se aprecia o caso monocraticamente ou o remete ao plenário do STF.
Receba no WhatsApp as melhores reportagens, programas e documentários do canal Amado Mundo. Inscreva-se!
“As providências ora determinadas destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações”, registra Fachin no despacho.
A decisão chega um dia depois de Moraes usar o inquérito das fake news para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Relator do caso Banco Master, Mendonça havia levantado, na terça-feira (1/9) o sigilo de um relatório da PF que reúne 51 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.
Na representação, Moraes atribui a Mendonça quebra de imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos na relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero. O documento em que Moraes se baseou para pedir a investigação, entretanto, é um relatório interno da PF que se autodefine como sem valor probatório, sem cabeçalho oficial e sem assinatura de nenhum delegado.
O inquérito das fake news
Ao tirar o pedido do âmbito do inquérito das fake news, Fachin evita que a nova disputa entre os dois ministros seja instruída dentro de um inquérito que ele próprio já criticou publicamente e que gostaria de ver encerrado ainda este ano.
O inquérito foi aberto de ofício em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli. No entanto, é criticado por juristas pela sua extensão e por não haver previsão de conclusão.
Leia também: O detalhe que indica motivação eleitoral de Mendonça no caso Moraes-Vorcaro
Além disso, parlamentares da oposição criticam o inquérito sob a alegação de que a investigação virou um instrumento de poder pessoal e intimidação. Eles afirmaram que usar o inquérito para investigar o ministro André Mendonça, que supervisiona apurações sensíveis, configura retaliação e abuso de autoridade.
Parlamentares desse bloco pedem o fim do inquérito e já pediram impeachment para ministros que enquadraram aliados na apuração de forma monocrática, como os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.