De porteiro a dono de editora: ex-assessor do Senado fatura R$ 15 mi em prefeituras no Pará
Jaison de Sena deixou cargo no Senado para a esposa e engatou contratos de R$ 15 milhões com municípios geridos por aliados do seu ex-chefe

Jaison Diego de Sena experimentou uma ascensão financeira digna de nota. Em 2021, ele batia ponto como agente de portaria temporário da Secretaria de Saúde de Ananindeua (PA), cargo que lhe rendia um salário na faixa de R$ 1,1 mil. Pouco tempo depois, passou a ocupar um cargo comissionado no gabinete do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), com um salário-base de R$ 3.090,06.
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A guinada empresarial, contudo, começou no final de 2025. Em novembro daquele ano, enquanto ainda era funcionário do Senado, Jaison abriu a Editora Book Soluções em Educação, sediada em Belém. O negócio nasceu grande, com um capital social totalmente integralizado de R$ 2 milhões. O balanço contábil da firma mostra que, em pouco mais de um mês de funcionamento até o fim daquele ano, a editora já somava R$ 2,45 milhões em ativos totais e uma receita bruta de quase R$ 365 mil.
O passo definitivo para o sucesso ocorreu em abril de 2026, quando Jaison deixou o gabinete do senador. Para não deixar o espaço vazio, Zequinha Marinho nomeou para a mesma vaga a esposa de Jaison, Maely Luana.
Desimpedido das amarras do Senado, o empresário engatou uma sequência milionária no poder público municipal do Pará. Em maio, sua empresa abocanhou um contrato de R$ 5,07 milhões com a Prefeitura de Muaná, no Marajó, para o fornecimento de livros didáticos. Na última quinta-feira (24/9), a editora levou um contrato de R$ 9,6 milhões na Prefeitura de Ananindeua, a mesmíssima que outrora o empregara como porteiro.
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As cifras, que somam quase R$ 15 milhões em contratos, orbitam o mesmo espectro político. O recém-saído prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel Santos, candidato ao governo do Pará, é filiado ao Podemos. É o mesmo partido presidido no estado pelo senador Zequinha Marinho, de quem Jaison foi funcionário.