EUA resistem a acordo de paz que fortaleça o Irã e prolongam impasse na guerra
Cessar-fogo frágil expõe divergências entre Washington e Tel Aviv, enquanto efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio se acumulam e pressionam governos de forma desigual

A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em um impasse em que uma saída definitiva parece distante. O cessar-fogo em vigor é instável, e a ausência de avanços diplomáticos reflete uma divergência central. Primeiro, porque os Estados Unidos resistem a um acordo que possa ser interpretado como fortalecimento político ou estratégico do Irã. Segundo, porque há divergências entre os Estados Unidos e Israel, uma vez que a condução da guerra e os objetivos de longo prazo não estão plenamente alinhados.
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Para Trump, o objetivo central era se apresentar como o presidente americano que conseguiu enfraquecer o Irã e mudar o regime, o que não aconteceu e não se mostra possível num futuro próximo. Já para Benjamin Netanyahu, a frente do conflito aberta no Líbano, sob a justificativa de atacar o Hezbollah, se mostrou uma oportunidade de concretizar a expansão do território israelense. Atualmente, cerca de 10% do Líbano está sob a ocupação de Israel e mais de 20% da população do país foi deslocada de suas casas. Ou seja, Tel Aviv tem um interesse extra e um objetivo concreto e mais factível para seguir com o conflito, sobretudo na frente libanesa, enquanto Washington tende a ter menos chances de colher resultados positivos.
O cenário é o de um conflito que não avança rumo a uma solução clara, prolongando um ambiente de instabilidade que se reflete tanto na política quanto na economia.
Em Israel, o impacto se acumula na economia real, como no mercado de trabalho, no turismo e no custo de vida, mas ainda não se traduz em pressão política decisiva sobre Benjamin Netanyahu.
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Isso porque, em momentos de guerra, há uma tendência de coesão interna, com parte da população se alinhando diante de uma ameaça externa, já que há uma repetição histórica e consistente de que o Irã é uma ameaça à existência de Israel. Esse é um forte contraponto ao desgaste econômico gradual. Nos Estados Unidos, onde a guerra não afeta diretamente o território, o impacto econômico surge mais rapidamente no debate político, sobretudo por meio do preço da energia e de seus efeitos no custo de vida.
Enquanto Israel absorve o impacto dentro de uma lógica de mobilização em torno do conflito, nos Estados Unidos, o custo econômico tende a se tornar um fator mais sensível para o governo, o que faz com que a pressão política não se distribua de forma igual entre os envolvidos.
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Em Jerusalém, o acúmulo dos efeitos da guerra já altera a dinâmica econômica. O turismo, uma das principais atividades econômicas da cidade, também opera abaixo do normal, o que afeta diretamente hotéis, restaurantes e pequenos comerciantes, em um cenário já fragilizado por episódios anteriores.
Mesmo com alguma autonomia energética, sustentada em parte pelo gás natural, a economia israelense permanece exposta a efeitos indiretos do conflito, especialmente pela dependência de importações. A tendência é que a pressão sobre os preços se intensifique à medida que a guerra se prolongue. Esse ambiente, no entanto, apresenta sinais de desgaste. Há protestos, ainda que tímidos, e preocupações crescentes com os efeitos mais amplos da guerra sobre a economia e a vida cotidiana, em um cenário em que os custos do conflito passam a ser sentidos de forma mais direta pela população.
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