Reportagem

Final da Copa rendeu festa nas ruas de Madrid e protesto contra presidente da Espanha

Grupo queimou bandeira em protesto contra Pedro Sánchez, que tem aliados políticos investigados por corrupção

por Weslley Neto
19/07/2026 às 20:30 · Atualizado há 3 meses
Protesto contra o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, no centro de Madrid
Protesto contra o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, no centro de Madrid (Weslley Neto)

A Espanha venceu a final da Copa do Mundo de 2026 contra a Argentina, nos Estados Unidos, pelo placar de 1 a 0, com gol marcado por Ferran Torres. Antes da decisão contra os sul-americanos, o clima era de confiança e festa na Plaza de Colón, local que reuniu os torcedores da seleção em Madrid, capital espanhola.

Muitos torcedores celebravam nas ruas do centro de Madrid horas antes do início da partida. Durante os festejos dos espanhóis, um grupo de dez torcedores chamou a atenção pelo uso de um sinalizador. Na sequência, eles entoaram o grito de “Fuera, Sánchez”, em referência a Pedro Sánchez, atual presidente do governo da Espanha.

Na sequência, o mesmo grupo queimou uma bandeira de Pedro Sánchez, do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), que governa a Espanha desde junho de 2018. O ato foi mais um dos protestos recentes, principalmente do público jovem espanhol, contra o atual governo — que tem seus aliados envolvidos em investigações de supostos atos corruptos.

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Espanhóis protestam contra o presidente Pedro Sánchez
Espanhóis protestam contra o presidente Pedro Sánchez (Weslley Neto)

O cenário político na Espanha

David Sánchez, irmão de Pedro Sánchez, foi recentemente condenado pela Justiça espanhola após ser acusado de improbidade administrativa e abuso de influência, por supostamente se beneficiar de um cargo público criado especificamente para ele.

O irmão do presidente permanecerá inabilitado para assumir novos cargos ou empregos públicos por nove anos, e nem poderá se candidatar a cargos eletivos. A Justiça espanhola reconheceu Pedro como culpado do crime de prevaricação administrativa, segundo informações divulgadas pela BBC.

Também existe uma investigação judicial envolvendo José Luis Rodríguez Zapatero, ex-presidente da Espanha entre 2004 e 2011, e um dos principais aliados políticos de Pedro Sánchez. Zapatero é acusado de suposto tráfico de influência e outros crimes relacionados ao resgate da companhia aérea venezuelana Plus Ultra com fundos públicos.

Begoña Gómez, esposa de Pedro Sánchez, será julgada por um júri pelos supostos crimes de peculato e tráfico de influência, definiu a Justiça espanhola. O tribunal retirou as acusações de corrupção empresarial e apropriação indébita, e optou por revogar medidas cautelares que haviam sido impostas contra ela. O ex-ministro dos Transportes de Sánchez, José Luis Ábalos, também é investigado por supostos crimes.

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Busca por estabilidade

O Partido Popular (PP), oposição ao PSOE na Espanha, exige a realização de eleições gerais imediatas, com o intuito de encerrar um “governo corrupto”. Por mais que os apoiadores do atual presidente estejam se distanciando, o intuito do país é manter a estabilidade diante de um cenário internacional com guerras e incertezas, segundo a BBC.

Com a vitória espanhola no Mundial, novas concentrações de torcedores estão previstas para os próximos dias — inclusive, para realizar a recepção dos jogadores campeões mundiais. Neste cenário, é possível que novas manifestações contra o atual governo aconteçam.

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