Reportagem

‘Escudo das Américas’: 14 países latinos aliados de Trump anunciam sanções a PCC e CV

Aliança liderada pelos EUA decidiu adotar medidas coletivas contra 24 grupos do crime organizado no continente; entre eles, as facções brasileiras PCC e CV

22/09/2026 às 20:09 · Atualizado há 3 semanas
Donald Trump - Escudo das Américas
Donald Trump em reunião do “Escudo das Américas” paralelamente à 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York (Brendan Smialowski/AFP)

A aliança Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos, propôs nesta terça-feira, 22/9, sanções coletivas contra 24 grupos do crime organizado que atuam na região e que consideram “uma ameaça imediata e compartilhada”. Entre eles, estão as facções brasileiras PCC e CV, já classificadas como “terroristas” pelo governo de Donald Trump.

“Anunciamos hoje a primeira ação conjunta para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo”, diz um comunicado divulgado após uma reunião de líderes da coalizão na sede da ONU, em Nova York, realizada paralelamente à 81ª Assembleia Geral da ONU.

“Declaramos nossa intenção de impor o congelamento de ativos e restrições migratórias e de visto para os membros, associados e apoiadores dessas organizações, e responsabilidade penal para as pessoas que oferecerem deliberadamente apoio material, incluindo apoio logístico, a essas organizações”, diz o texto.

O Escudo das Américas foi fundado em março, por iniciativa do presidente Donald Trump, e reúne seus aliados conservadores na região. Peru, Chile e Colômbia, que acabam de eleger líderes de direita ou de extrema direita, são os novos membros do grupo.

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‘Escudo das Américas’ segue cartilha de Trump

Os Estados Unidos dispõem há décadas de instrumentos econômicos e jurídicos para sancionar grupos armados, empresários e figuras políticas que consideram inimigos de seus interesses. Washington mantém uma “lista negra” de indivíduos e empresas sancionadas que não podem acessar o sistema financeiro ou empresarial.

Esta é a primeira vez que se busca ampliar esse sistema de sanções aos 15 países que assinam o comunicado, representantes de quase metade da América Latina e do Caribe.

Os 24 grupos afetados já foram sancionados por Washington, desde a Mara Salvatrucha, de El Salvador, ao Tren de Aragua, da Venezuela. Também estão incluídos os principais cartéis mexicanos, bem como grupos armados de Brasil, Colômbia e Peru.

“Para facilitar esses objetivos”, será feita uma solicitação formal ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), de 1947, declararam os signatários do documento

Criado no início da Guerra Fria, para combater o comunismo, o Tiar permite a criação de um órgão consultivo para coordenar a resposta.

Leia também: Maioria apoia classificar facções como terroristas, mas rejeita ação unilateral dos EUA

Trump ameaça ação militar na região

Trump afirmou nesta terça, na Assembleia Geral da ONU, que “os Estados Unidos não permitirão mais que as ameaças contra a América ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental”. “Caso necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual.”

Por meio de drones e ataques aéreos, o Pentágono realiza há um ano uma campanha sem precedentes contra supostas lanchas ligadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico, que já deixou mais de 200 mortos.

A cooperação transfronteiriça aumentou nos últimos meses. Equador e Colômbia protagonizam missões conjuntas, e as deportações de supostos criminosos entre países vizinhos também crescem.

Saiba mais: Amorim: classificar PCC e CV como ‘terroristas’ abre caminho para intervenção dos EUA

O comunicado ressalta que cada país do grupo deverá aplicar o arsenal de sanções e medidas retaliatórias “de acordo com a sua legislação”. Outro obstáculo é o recurso ao Tiar, instrumento de segurança regional anterior à criação do Escudo e vinculado à OEA, onde países como Brasil e México costumam se opor às iniciativas de Washington.

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