‘O que a gente diz, a gente cumpre’ dispara Jerônimo Rodrigues sobre seu governo na Bahia
Em conversa com Guilherme Amado, governador defende continuidade de projeto iniciado por Wagner e Rui Costa, projeta obras estruturantes e garante empenho total para reeleição de Lula.
Jerônimo Rodrigues é o governador que não apenas manteve o PT no poder na Bahia, mas desafiou todas as métricas eleitorais de 2022. Enquanto as projeções apontavam para uma vitória da oposição, o ex-secretário de educação pouco conhecido no cenário nacional, contrariou as pesquisas. Com a vitória, pôde-se continuar um ciclo iniciado por Jaques Wagner e Rui Costa, sendo também fundamental para a sustentação política do presidente Lula durante a eleição.
Nascido na zona rural de Aiquara, filho de um vaqueiro e de uma costureira de descendência indígena, Jerônimo é engenheiro agrônomo e professor universitário. Diferente de muitos políticos de carreira, Rodrigues construiu sua trajetória nos bastidores da gestão pública e em movimentos sociais, atuando no combate ao trabalho infantil e no planejamento de políticas territoriais antes de ser alçado à liderança do Executivo baiano.
Em entrevista ao Papo Amado, o governador refuta a ideia de personalismo e se coloca como o executor de uma “terceira geração” de um projeto político que já soma quase duas décadas. “O que a gente diz, a gente cumpre. Não temos meias palavras, nós não temos dois discursos”, dispara, ao definir o estilo de gestão que isolou o carlismo (herdeiros políticos de Antonio Carlos Magalhães) no estado.
Na entrevista, Jerônimo detalha como a continuidade administrativa — frequentemente criticada pela oposição como “fadiga de material” — é, na verdade, o motor que permitiu à Bahia saltar de um cenário de exclusão histórica para um modelo de investimentos pesados em infraestrutura, como o VLT e o metrô, e em políticas sociais disruptivas, como a educação em tempo integral e hospitais de cuidados paliativos.
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A seguir, leia os principais trechos da entrevista ou assista à entrevista completa ao final do texto.
Por que o baiano deveria confiar novamente no PT?
Jerônimo Rodrigues: A justificativa passa por duas frentes. Uma primeira é que, quando o Wagner chegou em 2007, ele fez com que a Bahia se apropriasse das políticas públicas; não tínhamos acesso a estradas, água ou hospitais. O Rui, na segunda geração, acelerou isso, no ritmo que ele implementou de ‘correria’ para entregar mais escolas, policlínicas e infraestrutura. Eu chego em uma terceira geração para consolidar essas ações e retomar o processo participativo que foi desfeito pelo governo federal anterior.
Qual o desafio aqui na capital para o PT reconquistar o eleitorado que rejeitou o partido nas últimas eleições?
A oposição diz que existe uma fadiga de material por conta dos 20 anos de governo, mas Salvador é governada pelo grupo deles e vai chegar aos 20 anos também. A fadiga ocorre quando a população cansa de um projeto. Em Salvador, não temos maternidade municipal e há uma fila de mães aguardando vagas em creches.
Enquanto isso, nós levamos hospitais de ponta e escolas em tempo integral para o interior. Temos o IPTU mais caro do Brasil aqui; esse é um modelo de governar distante dos benefícios para a população.

Jerônimo Rodrigues, quem foram seus pais?
Meu pai foi um vaqueiro e minha mãe era costureira; é dela que vem minha descendência indígena. Eu nasci na zona rural, na roça, em uma localidade chamada Palmeirinha, em Aiquara. Meus pais não tiveram oportunidade de escola, e eu precisei sair de lá porque não havia oferta de ensino perto.
Como foi sua entrada no PT?
Minha militância começou no movimento religioso, na Igreja Católica, nas comunidades de base em Jequié. Depois, na universidade, militei no movimento estudantil e na federação de estudantes de agronomia. Me filiei ao partido entre o final dos anos 80 e início de 90. Trabalhei muito tempo nos bastidores e em organizações não governamentais contra o trabalho infantil antes de vir assessorar o Wagner em 2007.
Como criar uma marca do Jerônimo diante de nomes como Wagner, Rui Costa e Lula?
Eu não tenho preocupação com a ‘marca do Jerônimo’, pois estamos dando continuidade a um processo. Se eu fosse fazer diferente, não seria eu quem deveria estar aqui. A marca é uma concepção: o Wagner entregou o metrô, o Rui entregou as policlínicas e eu estou entregando o VLT e a educação em tempo integral. É uma entrega com política dentro, focada em cuidar das pessoas mais carentes.
A Bahia vai, novamente, dar uma votação consagradora para Lula em 2026?
O cenário é diferente, mas vamos trabalhar dia e noite. Estou coordenando a montagem da nossa chapa para que ela seja competitiva e para garantir a reeleição do presidente Lula e do nosso projeto na Bahia. O compromisso da Bahia é garantir ao presidente Lula uma votação expressiva.