Entrevista

Elisama Santos: A maternidade e o racismo na literatura

Psicanalista e escritora reflete no Notas de Rodapé sobre a transição para a ficção, as angústias da criação de filhas mulheres e a exaustão feminina

Publicado em 02/07/2026 às 06:00
Elisama Santos
A escritora e psicanalista Elisama Santos foi uma das entrevistadas pelo Notas de Rodapé. (Amado Mundo)

A psicanalista e escritora Elisama Santos, conhecida por best-sellers de não ficção como “Conversas corajosas”, revelou como a literatura de ficção aterrissou em sua vida. Autora de “Ensaio de despedida” e “Mesmo rio”, ela contou, em entrevista ao programa Notas de Rodapé, apresentado por Raquel Cozer, do Amado Mundo, que sua transição para o gênero literário não foi planejada. E afirmou que suas histórias nascem de forma instintiva e que ela mesma não interfere no rumo que as próprias personagens decidem tomar. 

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Elisama vê dificuldades em ser mãe de uma menina 

Outro tema abordado pela psicanalista no programa foi a transmissão geracional do machismo e do medo, especialmente sob a ótica de ser mãe de uma menina de 11 anos. A autora compartilhou a angústia de estar sempre em alerta em relação a como os homens olham para o corpo de sua filha. 

“Eu sentava na praia olhando ao redor, pra ver como os homens estavam olhando pra minha filha, porque eu estava pronta para botar o dedo na cara”, confidenciou. 

Ela explicou que sente dificuldade em tentar não passar essa “tensão” para sua filha, sem deixar de protegê-la. E pontuou que os homens “não sabem fazer os cálculos que nós fazemos todos os dias”, pois as mulheres criam diversas estratégias de sobrevivência femininas para chegar em segurança em casa. 

Segundo ela, as mulheres também são condicionadas ao cuidado desde a infância, o que lhes demanda uma imensa energia e as priva do tempo necessário para nutrir relações que as recarregam, como as amizades. 

Racismo na literatura

Em sua estreia na ficção, Elisama Santos escreve sobre protagonistas negros inseridos em famílias muito bem estruturadas e sem colocar o racismo como tema central. A escritora relatou que diversos leitores lhe disseram ter tido o próprio preconceito exposto, pois projetavam personagens brancos na mente e só percebiam que os personagens eram negros quando ela mencionava detalhes como uma trança no cabelo. 

“Se eu estou falando de uma família que é muito bem estruturada financeiramente, então é uma branca que está vivendo?”, questionou.

Assista à entrevista completa no Notas de Rodapé:

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