Maioria dos eleitores cogita usar IA para pesquisar candidatos nas eleições 2026
Levantamento do Projeto Brief aponta que 62,9% consideram recorrer à tecnologia nas eleições 2026, embora três em cada quatro entrevistados vejam riscos de manipulação eleitoral

Um estudo realizado pelo Projeto Brief aponta que 62,9% dos brasileiros consideram recorrer a ferramentas de inteligência artificial (IA) para obter informações sobre candidatos nas eleições 2026. O levantamento indica uma oscilação no comportamento do eleitorado. Ao mesmo tempo em que a maioria demonstra abertura para utilizar a tecnologia como fonte de consulta política, cerca de três em cada quatro entrevistados afirmam que a ferramenta apresenta riscos de manipulação eleitoral.
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A pesquisa, que avaliou o impacto da tecnologia na percepção pública, realizou um experimento com 2.483 participantes divididos em grupos expostos a vídeos reais e manipulados por programas de computador. Os resultados apontam dificuldades na distinção entre conteúdos originais e simulados. Entre os entrevistados que assistiram a um vídeo fabricado por inteligência artificial, 45,3% identificaram corretamente a origem do material. Por outro lado, diante de uma gravação real, 33,9% dos participantes acreditaram tratar-se de uma produção artificial, enquanto 40,7% a reconheceram como autêntica.
A capacidade de identificar as produções geradas por computador varia conforme a faixa etária dos entrevistados. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 58,2% reconheceram o vídeo falso. Já no grupo de pessoas com 61 anos ou mais, o índice de identificação correta caiu para 20,9%, sendo que 47% desse público consideraram o conteúdo modificado como se fosse verdadeiro.
Riscos de induzir a erros em período eleitoral
Para a coordenadora do Projeto Brief, Carol Luck, a falta de clareza sobre a origem dos dados gerados por algoritmos acentua os riscos no período eleitoral.
“O problema é que as respostas geradas por IA não são 100% confiáveis, e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso: a decisão de voto pode passar por respostas automatizadas que induzem ao erro”, afirma.
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Em relação ao uso da inteligência artificial como guia de votação, 22,4% dos entrevistados declararam que pretendem usar a tecnologia como uma fonte comum de informação, enquanto 40,5% afirmaram que farão consultas, mas pretendem checar os dados em outros canais. O interesse é maior entre os homens (26,9%) do que entre as mulheres (18,1%). No recorte político, eleitores que se identificam com a direita somam 26,2% de intenção de uso direto, seguidos por 20,4% de eleitores de centro e 19,7% de esquerda.
O coordenador geral do Projeto Brief, Ricardo Borges Martins, ressalta a coexistência do interesse utilitário com o receio da desinformação entre os usuários.
“A abertura para consultar a IA sobre candidatos é alta e cresce ainda mais entre quem já usa a tecnologia no dia a dia. O que chama a atenção é que essa disposição convive com a desconfiança: as mesmas pessoas que usariam a IA para se informar reconhecem que ela pode enganar”, analisa o cientista político.
Diante do cenário apresentado, 83,2% dos participantes consideram importante saber quando um conteúdo foi gerado por computadores, e 50,7% defendem a obrigatoriedade de um selo de identificação em propagandas políticas digitais.
Questionados sobre a responsabilidade pela fiscalização desse mercado, 51,6% dos entrevistados apontaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o órgão principal para exercer o controle, seguido pelo governo federal (42,1%) e pelas plataformas digitais (38%). A coleta de dados da pesquisa ocorreu entre os dias 25 e 29 de abril de 2026.