Eleições 2026: direita termina semana desgastada por escândalo Master e fôlego do governo
Vazamento da troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro e a mais recente pesquisa eleitoral Quaest/Genial também intensificaram a movimentação de Zema e Caiado pelo voto da direita

Foi uma semana de muitos reveses para a direita brasileira. Além da revelação feita pelo “The Intercept Brasil” de que o pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, teria buscado recursos com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a nova rodada da pesquisa Quaest/Genial trouxe sinais pouco animadores para o bolsonarismo.
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Depois de aparecer numericamente à frente Lula no levantamento anterior, Flávio surgiu agora com 41% das intenções de voto, contra 42% de Lula. Embora o cenário permaneça de empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, a tendência interrompe um movimento que vinha sendo interpretado como favorável ao senador.
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Um dos dados mais observados da pesquisa ajuda a explicar a mudança de percepção. O levantamento que mede o “medo” do eleitorado — se da continuidade do governo Lula ou de uma volta da família Bolsonaro ao poder — mostrou uma inversão importante. Até então, crescia o receio em relação à permanência de Lula enquanto diminuía a rejeição ao retorno do bolsonarismo. Desta vez, o movimento apareceu no sentido contrário.
Os episódios também provocaram ruídos na elite econômica e reacenderam disputas dentro da própria centro-direita, que voltou a enxergar espaço para alternativas fora do eixo Lula-Flávio.
Pré-candidatos nas eleições 2026 tentam ocupar espaço aberto pelo desgaste
A vulnerabilidade de Flávio intensificou a movimentação de outros nomes da direita, especialmente os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que buscam se viabilizar como alternativas competitivas para um eventual segundo turno.
Mais enfático após o escândalo, Zema passou a explorar uma diferenciação mais clara em relação ao clã Bolsonaro, reforçando o discurso de gestor e outsider político. O governador mineiro, que circulou por eventos empresariais durante a Brazil Week, em Nova York, tenta aproveitar o momento para consolidar uma candidatura própria e reduzir a dependência eleitoral do bolsonarismo. O movimento também enfraquece especulações sobre uma eventual composição de chapa entre Zema e Flávio.
Caiado, por sua vez, adotou um tom mais cauteloso. Disse que Flávio precisa dar explicações, mas evitou ampliar o ataque e manteve o foco principal no enfrentamento ao governo Lula. Até aqui, sua estratégia tem sido disputar espaço com o senador mais pela experiência administrativa do que por um rompimento direto com o eleitor bolsonarista.
Ainda assim, entre os eleitores mais fiéis ao ex-presidente ou fortemente antipetistas, a narrativa de Flávio — de que buscava apenas financiamento privado para um filme sobre o pai — tende a encontrar ressonância, independentemente do desgaste provocado fora desse núcleo duro.
No fim das contas, o cenário reforça uma percepção que vem se consolidando desde 2022: a eleição deve novamente ser decidida por uma faixa estreita do eleitorado, possivelmente aqueles poucos pontos percentuais de eleitores moderados e indecisos capazes de definir o resultado final.
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