Eleição será mais antibolsonarista do que antipetista, analisa Christian Lynch
O cientista político Christian Lynch avalia que Flávio Bolsonaro terá dificuldade para se afastar do tarifaço dos EUA e sofrerá na eleição com o voto feminino

A próxima eleição brasileira para a presidência desenha um cenário inverso ao que foi visto em 2018, no passado recente, com o molde da disputa para ser “mais antibolsonarista do que antipetista”. A análise é do cientista político e historiador Christian Lynch no Matinal, do Amado Mundo, desta terça-feira (7/7).
Para justificar essa mudança, Lynch relembra que, na eleição em que Jair Bolsonaro se elegeu como presidente, ele funcionou como uma espécie de “para-raios da insatisfação generalizada”, amparado por uma “conjunção astral” de todo o antipetismo possível daquele momento. Atualmente, de acordo com o historiador, no entanto, a direita e a extrema-direita se encontram muito fraturadas.
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“Ele é um candidato fraco, ele é um candidato que não consegue se dotar de um conteúdo próprio, uma hora ele diz que vai ser o Bolsonaro vacinado, depois ele é radical, ouvindo o irmão sendo fascista, dizendo que mulher não sabe votar e que o Brasil merece tarifa”, disse.
Flávio Bolsonaro e o tarifaço
Dentro dessa busca por reposicionamento eleitoral, Flávio Bolsonaro tenta se desvincular do desgaste do “tarifaço” americano contra os produtos brasileiros, mas Lynch classifica essa tentativa como uma “farsa” que não terá efeito prático. A ida do senador para discursar por cinco minutos nos Estados Unidos é vista pelo cientista político apenas como uma ocasião para fazer “um lacre de selfies” para as redes sociais.
Além disso, Lynch alerta que quando Flávio viaja aos EUA para tentar culpar o atual governo de Lula pelas tarifas, ele indiretamente transmite a mensagem de que “o Brasil mereceu ser agredido”. Segundo ele, essa postura custa caro nas urnas, pois fere o forte orgulho nacional de boa parte do eleitorado moderado, que historicamente rejeita humilhações internacionais e defende a soberania do país.
Ataques a Michelle Bolsonaro e o voto feminino na eleição
Um terceiro pilar que explica as perdas eleitorais do bolsonarismo é o distanciamento do eleitorado feminino, agravado por ataques direcionados à figura de Michelle Bolsonaro. O historiador destaca que a mulher tem naturalmente uma menor aderência ao bolsonarismo do que o homem.
Essa rejeição, de acordo com Christian, aumenta consideravelmente quando figuras da extrema-direita associadas à família Bolsonaro, como o influenciador Paulo Figueiredo, afirmam publicamente que “mulher não sabe votar”. Segundo o analista, há uma parcela significativa de mulheres conservadoras e moderadas que não são fanáticas religiosas e que se afastam ao verem Michelle Bolsonaro ser humilhada por figuras desse movimento.
Ele também explica que existe uma espécie de “feminismo conservador” entre essas eleitoras, que comandam suas próprias casas e rejeitam serem diminuídas ou agredidas.
“Existe uma parcela do pessoal conservador que é moderado e votou no Lula há 10 anos, e, havendo essas agressões por parte da direita, podem voltar a votar”, argumentou.
“A Michelle Bolsonaro, por exemplo, falou bem, antes de ontem, do programa do governo Lula para deficientes auditivos”, completou.
Assista ao Matinal desta terça-feira (7/7) na íntegra: