Entrevista

Cientista político Sérgio Abranches define 2026 como a ‘eleição das incertezas’

Também sociólogo, Sérgio Abranches vê eleição disputada em meio ao que chama de crise crônica de representatividade no Brasil

24/07/2026 às 13:06 · Atualizado há 3 meses
eleição
Presidente Lula e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert; Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado).

Em entrevista ao programa Matinal desta sexta-feira (24/7), o cientista político e sociólogo Sérgio Abranches analisou o cenário brasileiro rumo às eleições de 2026. Ao classificar o próximo pleito como uma “eleição de incertezas”, Abranches alertou para o que chama de crise crônica de representatividade no Brasil e para a urgência de renovação política para lidar com os reais problemas da atualidade. 

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“Será uma eleição de muita incerteza, e, em geral, quando você tem muita incerteza, ela acaba sendo uma eleição conservadora. De certo ponto de vista, é bom, porque reelege o Lula, mas também é ruim, porque não resolve a crise do presidencialismo de coalizão, e o presidente não vai conseguir governar direito de novo”, disse ao programa do Amado Mundo.

Eleição crítica e a força do Centrão

O cientista político projeta que 2026 tem o potencial de ser uma “eleição crítica”, ou seja, um pleito capaz de alterar a configuração do jogo político futuro, a exemplo do que ocorreu no pleito de 2018. O sociólogo destacou a dificuldade estrutural do presidencialismo de coalizão no Brasil, que sofre com lógicas eleitorais conflitantes: enquanto a disputa presidencial reflete a demografia nacional, a votação para o Congresso é altamente fragmentada e de lógica local. 

O resultado da eleição de 2022, definida por ele como “de transição”, foi a correção do poder do Centrão, o que impulsionou uma crise de governabilidade. Para superar esse cenário, o especialista defende a necessidade de novas lideranças. Abranches citou o exemplo da deputada americana Alexandria Ocasio-Cortez, que revolucionou a política de seu país com campanhas digitais eficientes e de baixo custo, algo que ainda falta no Brasil, para suplantar o “fisiologismo do centrão e o golpismo da ultradireita”. 

Flávio Bolsonaro, polarização e a defesa da democracia

Ao avaliar os possíveis candidatos da direita, Abranches minimizou a força do senador Flávio Bolsonaro, chamando-o de “candidato fraco” e “neófito” sem carisma. Para o analista, o parlamentar atua como uma espécie de “candidato laranja”, com o objetivo principal de trazer o pai, Jair Bolsonaro, de volta à cena política. 

A verdadeira divisão do eleitorado, segundo Abranches, não orbita em torno de candidatos específicos da oposição, mas sim nos blocos “Lula” e “anti-Lula”, além do núcleo duro bolsonarista e de um grupo cada vez menor, porém decisivo, de independentes. 

Além disso, o tema da democracia deve retornar com força. Segundo o cientista político, a insistência da extrema direita em atacar as urnas eletrônicas acende o alerta democrático na sociedade e fornece munição para que a campanha governista crie “camadas de resistência” contra discursos golpistas. 

“A eleição de senador varia muito drasticamente para cada região. A minha expectativa é de que seja uma eleição bem complexa e com mais resultados inesperados”, concluiu, ao avaliar as eleições para o Senado, consideradas por ele um fato de atenção.

Assista ao Matinal desta sexta-feira (24/7) na íntegra:

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