Reportagem

E lá vamos nós de novo: Eduardo sabota a frágil paz do clã Bolsonaro, apaga, mas climão segue

Ex-deputado aprova vídeo que acusa Michelle Bolsonaro de adotar pautas "feministas e esquerdistas", assoprando as brasas do que parecia um incêndio controlado

por Henrique Fregonasse
24/08/2026 às 16:08 · Atualizado há 2 meses
Michelle e Eduardo Bolsonaro
Michelle Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (Zack Stencil/PL; divulgação)

Parecia bom demais para ser verdade — e, como em um roteiro repetido à exaustão na novela do clã Bolsonaro, a paz durou pouco. Justamente quando a família parecia ter hasteado a bandeira branca para viabilizar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro decidiu que era hora de assoprar as brasas e reacender a fogueira. O alvo? A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL).

Em um gesto que provocou tensão no quartel-general de Flávio e fúria nos aliados de Michelle, Eduardo compartilhou e comentou, nesse domingo (23/8), um vídeo do influenciador Allan dos Santos, foragido nos EUA, mas quase onipresente nas tretas bolsonaristas. Na publicação, Allan ataca duramente a candidatura da ex-primeira-dama, e Eduardo, sem meias palavras, cravou nos comentários: “Triste, mas verdadeiro…”.

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No vídeo que ganhou o selo de aprovação do “filho 03”, o influenciador afirma que prefere “mil vezes” a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo-DF) para as duas vagas ao Senado pelo DF, esnobando Michelle — que atualmente lidera as pesquisas do Datafolha. E os ataques não param por aí: Allan classifica Michelle como uma “incógnita para a direita” e a acusa de promover “pauta feminista” e “pauta de esquerda”.

Após a repostagem de Eduardo ter sido noticiada, no domingo, pelos portais Metrópoles e O Globo, os comentários do ex-deputado na postagem foram apagados e a repostagem desfeita.

No entorno de Michelle, o episódio não foi engolido como uma mera “concordância pontual”, mas sim como um endosso escancarado de Eduardo para sabotar a eleição da madrasta.

O timing desastroso de Eduardo

Para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, o timing de Eduardo beira o desastroso. A atitude reabre uma divisão familiar pública que o partido suou nas últimas semanas para tentar administrar.

Recentemente, a família havia superado a duras penas uma crise pesada da pré-campanha, originada quando o PL decidiu se aliar a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Na ocasião, Michelle veio a público dizer que havia sido desrespeitada pelo enteado. Foi preciso que Flávio divulgasse um pedido público de desculpas, que Michelle concedesse o perdão e que o patriarca Jair Bolsonaro — atualmente em prisão domiciliar — entrasse em campo para apaziguar os ânimos.

Michelle, considerada um trunfo indispensável para atrair o eleitorado feminino e evangélico, já havia gravado vídeo com Flávio e indicado presença nos palanques do enteado.

O QG do PL já desenhava o próximo passo: levar Michelle a tiracolo para compromissos cruciais em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, dividindo o tempo da candidata entre campanha presidencial do filho 01 de Bolsonaro, a sua própria corrida ao Senado e a rotina com Jair Bolsonaro.

Agora, com o aval de Eduardo a uma manifestação que espicaça a campanha de Michelle, a cúpula do partido teme voltar à estaca zero. Em plena corrida eleitoral, o bolsonarismo se vê, mais uma vez, obrigado a apagar os incêndios acesos dentro da própria casa.

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