Reportagem

Eduardo Bolsonaro afirma que usará sessão do STF para exigir novas sanções dos EUA

Após sessão marcada por adiamento e acusações entre ministros, ex-deputado condenado por articular sanções promete voltar a agir contra autoridades brasileiras

por João Pedro Bitencourt
16/09/2026 às 15:56 · Atualizado há 4 semanas
eduardo
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que vai expor, em Washington, capital norte-americana, os acontecimentos da sessão extraordinária dessa terça-feira, 15/9, do Supremo Tribunal Federal (STF), na expectativa de que isso dê início a uma nova rodada de sanções dos Estados Unidos contra ministros da Corte.

“Tudo registrado e pronto para expor em DC, onde, Deus quiser, se iniciará uma nova rodada de sanções”, afirmou Eduardo Bolsonaro.

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A sessão, que deveria decidir se a Corte determinaria ou não a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, foi suspensa após um pedido de vista do ministro Flávio Dino — mesmo depois de já ter votado — para analisar uma questão de ordem proposta pelo decano, Gilmar Mendes.

Com isso, o tribunal não decidiu se o caso deveria ser apurado em conjunto com uma denúncia de suposto abuso de autoridade contra o ministro André Mendonça, apesar de a votação estar 4 a 3 contra a junção dos processos.

Eduardo Bolsonaro destacou três episódios que, juntos, classificou como um “circo de horrores”: a exigência de Moraes por direitos que, segundo ele, o próprio ministro nega a seus réus; a acusação feita por Gilmar Mendes de que Mendonça teria agido com parcialidade — característica que Eduardo atribuiu ao próprio decano da Corte; e a incapacidade de Dino, na avaliação dele, “de estar à altura da liturgia do cargo que ocupa”.

“Dino coroando-se como bobo da corte”, disse Eduardo.

Eduardo condenado por articular sanções

O STF condenou, em junho deste ano, Eduardo Bolsonaro por tentar interferir no processo da trama golpista, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentava que o ex-parlamentar tentou atrapalhar o andamento do processo contra o pai e outros sete réus, destacando que nem a aplicação da Lei Magnitsky contra o próprio Alexandre de Moraes pelo governo americano, nem a revogação de vistos de ministros do STF, intimidaram a Corte.

Eduardo, conhecido como “03”, recebeu pena de 4 anos e 2 meses de prisão, além de 50 dias-multa (equivalentes, no total, a 100 salários mínimos: R$ 162,1 mil). A sentença determina o início do cumprimento da pena em regime semiaberto. Com a condenação, ele também ficou inelegível por oito anos.

Relembre o caso

A articulação do grupo bolsonarista junto ao governo de Donald Trump começou no ano passado, durante o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Em julho de 2025, o então deputado federal Eduardo Bolsonaro admitiu ter atuado em Washington para pressionar o governo americano a adotar medidas contra o Brasil, incluindo tarifas e sanções a autoridades brasileiras, como reação ao processo contra seu pai.

Na ocasião, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e vinculou publicamente a medida ao tratamento dado pela Justiça brasileira a Bolsonaro, classificando o processo como uma “caça às bruxas”.

Além disso, o governo dos Estados Unidos aplicou a Lei Magnitsky contra Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em julho daquele ano. As sanções contra o ministro e a esposa foram posteriormente removidas pelo governo americano em dezembro de 2025.

Apesar da pressão admitida por Eduardo, o Tesouro americano alegou, à época, supostas violações de direitos humanos e ações contra a liberdade de expressão relacionadas a decisões judiciais no Brasil. A sanção incluiu o bloqueio de eventuais bens em território norte-americano e restrições a transações financeiras e ao uso de serviços associados aos EUA.

A Lei Magnitsky é uma legislação dos Estados Unidos que permite ao governo americano sancionar indivíduos e entidades estrangeiras acusados de cometer graves violações de direitos humanos ou atos de corrupção em qualquer lugar do mundo.

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