Reportagem

Donald Trump na ONU: ameaças ao Irã, cuba e aos cartéis

Presidente americano diz que tem na mesa decisão de aniquilar o país persa ou ajudar a reerguê-lo diante de guerra iniciada pelos EUA

por Pedro Knoth
23/09/2026 às 06:22 · Atualizado há 3 semanas
Donald Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, aguarda para discursar durante uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra no Salão Leste da Casa Branca, em 2 de março de 2026. Crédito: Jim Watson / AFP

A participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, contou com um discurso bélico e de justificativa à Guerra do Irã, em que o mandatário americano afirmou que preveniu o país persa de adquirir uma arma nuclear. Seguinte na fila de pronunciamentos ao presidente Lula, Trump afirmou que espera chegar a um acordo com o Irã para o fim da guerra até o final deste ano, depois das eleições de meio-termo nos EUA. Caso contrário, Trump ameaçou “aniquilar a República Islâmica”.

“Eu tenho uma grande decisão a tomar. Será feito um acordo com o Irã para deixar que eles possam se reerguer e criar um país muito melhor do que era antes? Ou eu aniquilo a República Islâmica e o faço com rapidez, não dando chances para que destruam pessoas e países nunca mais?”

Apesar da ameaça, Trump disse à imprensa mais tarde que a delegação americana na ONU teve uma reunião “bastante positiva” de três horas com intermediários do Irã. Quem conduziu a reunião foi o emissário especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e o enviado especial para missões de paz e genro do presidente Trump, Jared Kushner.

Discurso de Donald Trump na ONU

O discurso de Trump durou 37 minutos, mais que o dobro do tempo permitido aos líderes mundiais no plenário da Assembleia Geral da ONU. O presidente americano afirmou que livrar o Irã de ter uma bomba nuclear demonstrou o poder e a hegemonia militar dos Estados Unidos no hemisfério Oeste, o que é essencial para se prevenir de crises humanitárias. Desde que retornou à Casa Branca, Trump invadiu a Venezuela e capturou o ditador Nicolás Maduro, ameaçou tomar a Groenlândia à força da Dinamarca e atacou o Irã.

“Nossas ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não vão mais permitir que ameaças à América floresçam em qualquer parte do Hemisfério Oeste”, disse o presidente americano. “Enquanto outros sempre falaram de paz, nós agimos”, completou.

Em seu discurso, a furia de Trump não se limitou ao Irã. Ele classificou o México como “epicentro da violência dos cartéis de drogas” e que “era infeliz para os Estados Unidos dividir uma fronteira com o país latino-americano”. Mudando de foco para Cuba, disse que os EUA estão articulando uma pressão “jamais vista antes” sobre o regime comunista da ilha vizinha. O objetivo é levar a ilha a capitular a uma mudança de regime.

“É um estado que fracassou absolutamente. Está falhando como nunca antes vimos, e vai falir”, pontuou o presidente americano.

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