Do rio ao mar: o impacto do saneamento na preservação ambiental
Águas do Rio une saneamento e conscientização em ações que ajudam a cuidar dos rios

O esgoto lançado irregularmente nos rios percorre um caminho que pode chegar até o mar. É nesse percurso que a Águas do Rio, empresa da Aegea, atua, com investimentos em infraestrutura de saneamento e apoio em projetos de recuperação e educação ambiental.
“As cidades cresceram nas margens dos rios, só que sem uma adequada infraestrutura de esgotamento sanitário”, afirma a engenheira Caroline Lopes Santos, gerente de Meio Ambiente da concessionária. Uma das consequências da falta histórica de investimento em infraestrutura sanitária e do crescimento sem planejamento das cidades foi o direcionamento irregular de parte do esgoto para redes de drenagem e para os rios, que desaguam no mar.
Para Caroline, a educação ambiental também é fundamental para que a população entenda o papel de cada um na conservação dos ecossistemas. “Eu costumo falar sempre que, no final, todo o rio é mar”, diz. “O avanço do saneamento que promove a recuperação da balneabilidade de uma praia, por exemplo, tem muitos outros efeitos. Estamos aquecendo o turismo local, devolvendo o sustento do pescador e garantindo que o desenvolvimento do Rio de Janeiro caminhe lado a lado com a conservação da natureza”, garante.
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Os resultados do trabalho iniciado pela Águas do Rio em 2021 podem ser observados em números. “Nossas ações de saneamento tanto na Zona Sul quanto na Zona Norte do Rio, e da Baixada a São Gonçalo, já evitam que 136 milhões de litros de esgoto in natura sejam lançados diariamente na Baía de Guanabara”, contabiliza Caroline. Entre as ações que permitiram esse resultado está a limpeza do Interceptor Oceânico localizado entre os bairros cariocas da Glória e Copacabana, e a implementação de Coletores em Tempo Seco, um sistema que, em períodos sem chuva, desvia o esgoto lançado irregularmente nas galerias de águas pluviais e o direciona para tratamento.
Saneamento e recuperação dos manguezais
No entorno da Estação de Tratamento de Esgoto Alegria, no Caju, uma parceria entre a Águas do Rio e o biólogo Mario Moscatelli busca recuperar o manguezal da região. Criado em 2023, o projeto Mangue Alegria combina retirada de resíduos e plantio de espécies nativas. Desde seu início, o projeto já retirou 450 toneladas de resíduos sólidos e plantou 20 mil mudas de mangue-vermelho e mangue-branco.
A recuperação desses ecossistemas, considerados berçários da vida marinha, pode favorecer a biodiversidade e criar condições para atividades como a pesca e o ecoturismo. A meta é recuperar 3,6 hectares e ampliar a vegetação em outros 4,6 hectares. Outra parceria entre a concessionária e o biólogo tem como foco a recuperação da área de mangue na Lagoa Rodrigo de Freitas.
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Moscatelli foi fundamental para a transformação da paisagem da Lagoa: “Quando comecei a plantar mangue aqui, achavam que eu era maluco. Hoje, passei de maluco para visionário. Ver espécies como a carqueja-de-bico-manchado e as capivaras ocupando a Lagoa mostra o quanto esse ecossistema se recuperou”, atesta. Com apoio da Águas do Rio, o trabalho recuperou, desde 2021, 7 mil metros quadrados de vegetação de mangue local.
O trabalho de recuperação da vegetação ocorreu paralelamente a melhorias no saneamento, como a modernização de estações de bombeamento e o combate a ligações irregulares de esgoto. De acordo com a concessionária, as intervenções evitaram o despejo de 216 mil litros de esgoto por hora na Lagoa.

Esse Rio é Meu
Reconhecer o rio que passa pelo próprio bairro é o primeiro passo para entender sua relação com o mar. É essa a proposta do Esse Rio é Meu, projeto desenvolvido pelo Planeta.com com apoio da Águas do Rio. A iniciativa mobiliza escolas em ações de educação ambiental voltadas à preservação e à recuperação de rios urbanos. Mais de um milhão de alunos de escolas municipais da capital e de municípios do entorno da Baía de Guanabara já participaram das atividades.
Um episódio vivido por alunos da Escola Municipal Guararapes Cândido, no Cosme Velho, bairro do Rio, se tornou uma história emblemática para o projeto. Apesar de estudarem perto do Rio Carioca, que nasce no Parque Nacional da Tijuca e deságua na Baía de Guanabara, muitos estudantes não reconheciam o curso d’água como um rio. Durante um passeio organizado até as margens do rio, os alunos repetiam: “aqui não é rio, é lixão”.
Silvana Gontijo, presidente do Planeta.com, educadora e responsável pelo projeto, relembra: “Eu disse: vamos combinar uma coisa? O rio está lixo, mas é rio. Nós vamos perguntar para os mais velhos como era quando eles eram crianças como vocês”. Os alunos passaram a ouvir moradores mais velhos para entender como era o rio décadas atrás.
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Os encontros fora de sala de aula ganharam ainda mais relevância durante outro passeio. Em uma visita à Praia do Flamengo, uma das alunas encontrou no mar uma boneca que ela mesma havia descartado em um valão da comunidade do Guararapes. O episódio ajudou a mostrar, na prática, a conexão entre os rios da cidade. “Foi decisivo para a compreensão [dos alunos] de que o que [eles] faziam na comunidade impactava na praia”, afirma a educadora.
“O mais difícil, para além das escolas, é a mudança de cultura do território. Cuidar dos rios, para nós, é entender que o rio é o canal de conexão com os oceanos. Então, todo rio é o oceano”, afirma Silvana.
Para Caroline, ampliar a infraestrutura de saneamento e recuperar os ecossistemas são frentes complementares. “A gente entende que a infraestrutura de saneamento, a chamada infraestrutura cinza, pode caminhar com a infraestrutura verde”, diz.
Das intervenções que impedem a chegada do esgoto aos corpos hídricos ao trabalho desenvolvido com escolas e comunidades, as iniciativas partem de uma mesma compreensão: cuidar dos rios também é cuidar do mar.