Dívida pública do Brasil sobe para 83% do PIB em agosto; gasto sobre juros aumenta
Governo tem déficit de R$ 10 bilhões em agosto, e aumento na despesa com juro nominal leva dívida pública do Brasil a subir

Sob escrutínio para melhorar a saúde das contas e da dívida pública, tema delicado à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, segundo os dados do Banco Central. No mesmo mês de 2025, as contas públicas acumularam resultado negativo de R$ 17,3 bilhões. Em 12 meses, o saldo consolidado é de um déficit de R$ 82,1 bilhões, equivalente a 0,62% do PIB do País.
A dívida pública do Brasil, contudo, continua em trajetória de crescimento, aponta o BC. Em junho, o endividamento bruto do governo federal estava em 82% do PIB, em R$ 10,8 trilhões. Saltou para 82,9% do PIB entre julho, a R4 10,9 trilhões, e chegou a R$ 11 trilhões em agosto.
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Os dados apontam que o custo dos juros no Brasil também vem pesando a mão do governo federal. A dívida com despesas sobre juros nominais no setor público acumulou R$1,18 trilhão em 12 meses, chegando a bater 8,8% do PIB do Brasil — há um ano, essa fatia era equivalente a 7,61% de toda a produção da economia brasileira. Em paralelo, o déficit fiscal consolidado do setor público foi de R$ 105 bilhões em agosto, chegando a bater R$ 1,2 trilhão e crescendo 0,12 pontos percentuais diante do PIB em 12 meses.
O peso dos juros na dívida pública do Brasil
O BC atribuiu o crescimento da dívida pública do Brasil entre junho e agosto “sobretudo, aos impactos dos juros nominais apropriados” e à desvalorização cambial do período, além do próprio PIB, que oscilou para baixo.
A autoridade monetária ainda destacou os impactos de reduções de juros nas contas públicas. A queda de 1 ponto percentual da Selic resulta em uma economia de R$ 65,9 bilhões no gasto com juros nominais, diminuição de 0,4 p.p. na grandeza do PIB. A desvalorização na taxa de câmbio, ou seja, com o real perdendo valor frente ao dólar, em 1 p.p. leva o governo a gastar R$ 9,4 bilhões.
Estatais registram superávit
Por outro lado, as empresas estatais registraram superávit de R$ 2 bilhões em agosto, revertendo o déficit de 1,1 bilhão de julho. As companhias federais e ligadas à União transformaram um resultado negativo de R$ 476 milhões em um superávit de 1,7 bilhão.
O BC nota, no entanto, que as estatais federais apresentam no acumulado do ano uma necessidade de financiamento de R$ 6,5 bilhões.
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Com a melhora da conta em agosto, a dívida da União com empresas estatais municipais, estaduais e federais caiu de R$ 47,5 bilhões em julho para R$ 46,1 bilhões no mês passado.
Economia desacelerando impacta na dívida pública do Brasil?
O problema de aumento nas contas públicas em meio a uma possível desaceleração na economia é a queda na arrecadação sobre a produção brasileira.
Segundo dados do IBC-Br, a receita do governo via recolhimento de impostos caiu em julho, junto com o PIB. Houve queda em duas das três atividades medidas pela prévia do PIB no mês, com o Agro registrando a maior desaceleração. O único setor que permaneceu estável foi o de serviços.
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Apesar de quedas em junho e julho, o IBC-Br continua positivo no saldo deste ano, com expansão de 1,5% em relação a janeiro a julho de 2025. Na série de 12 meses, o índice de atividade econômica também é 1,5% maior em comparação com o dado fechado em julho do ano passado.