Reportagem

Dino manda PF investigar ataques religiosos após polêmica com Nossa Senhora Aparecida

Ministro do STF listou ataques a imagens religiosas registrados recentemente após tema ser vinculado a Flávio Bolsonaro

por Weslley Neto
30/09/2026 às 13:55 · Atualizado há 2 semanas
Flávio Dino, ministro do Superior Tribunal Federal (Gustavo Moreno/SCO/STF)
Flávio Dino, ministro do Superior Tribunal Federal (Gustavo Moreno/SCO/STF)

Flávio Dino, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira, 30/9, que a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) investiguem ataques contra imagens religiosas. O tema se tornou recorrente na pauta eleitoral após a divulgação de notícias falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão lista ataques a imagens religiosas após a divulgação das notícias. “Temos quadro bastante grave, em que existem indícios de crimes variados, tais como: ultraje a culto, na modalidade vilipêndio; preconceito religioso; violência contra práticas religiosas; injúria qualificada por elemento religioso”, destacou o ministro.

A lista apresentada por Dino destacou ataques ocorridos em oito cidades brasileiras, entre elas capitais como Belo Horizonte, Maceió, Cuiabá e Salvador. O documento cita relatos de vandalismo e quebra de imagens de diferentes santos católicos, além de ataques a terreiros de umbanda e orixás de religiões de matriz africana.

“A atuação inicial da Polícia Federal justifica-se considerando a repercussão interestadual, a necessidade de repressão uniforme e a natureza aparente de crimes contra os direitos humanos. Poderá haver a concentração ou o desmembramento das investigações, mediante análise dos órgãos competentes”, detalha o documento.

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Dino derrubou liminar de Mendonça

Dino apresentou os relatos após a decisão do último domingo, 27/9, em que derrubou uma liminar do ministro André Mendonça e liberou postagens com supostas informações sobre uma possível intenção de Flávio de retirar da santa o título de padroeira do Brasil. O fato foi negado pelo candidato, que afirmou estar sendo vítima de notícias falsas.

A campanha de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a retirada de publicações que, segundo o posicionamento, atribuíam ao candidato uma posição que ele nunca defendeu. A divergência entre Mendonça e Dino ainda será discutida no plenário do STF.

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Tema repercutiu durante campanha eleitoral

Entre 24 e 29 de setembro de 2026, a Ativaweb DataLab coletou 19.765.109 registros de menções e notícias jornalísticas sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro. Do total, 75,3% foram classificados como críticas diretamente ao candidato ou manifestações críticas sobre o episódio.

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O nome de Lula apareceu em 68% das menções, evidenciando a conexão entre a controvérsia religiosa e o confronto eleitoral — sem que essa presença represente, necessariamente, apoio ao presidente, diz a AtivaWeb.

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