Tem dinheiro estrangeiro na campanha do Flávio? Entenda a rede Rockbridge
O que uma rede bilionária de financiamento trumpista nos EUA está fazendo dentro do QG de uma campanha política no Brasil?

A campanha de Flávio Bolsonaro está sob suspeita de receber financiamento de uma poderosa e opaca rede de empresários americanos ligada ao trumpismo – como mostram investigações do Amado Mundo.
O nome desse grupo é Rockbridge Network.
Leia mais: Membro de grupo trumpista Rockbridge atua no QG de Flávio Bolsonaro em SP
Para entender melhor essa história toda, a gente tem que olhar pra onde tudo isso começou.
A Rockbridge foi fundada em 2019 com pequenos jantares organizados por J.D. Vance, quando ainda era investidor privado, antes de se tornar vice-presidente dos Estados Unidos, e Chris Buskirk, empresário e operador político ligado ao trumpismo. O nome veio da cidade de Rockbridge, em Ohio, que foi sede de um dos primeiros encontros.
Comece o dia sabendo o que importa. Receba gratuitamente a Antes da Reunião, a newsletter de política e economia do Amado Mundo. De 2ª a 6ª, às 6h30. Assine!
A ideia era criar uma alternativa trumpista às tradicionais redes de financiamento republicanas. Os primeiros cheques vieram dos bilionários Peter Thiel, cofundador do PayPal e antigo chefe de Vance no Vale do Silício, e Rebekah Mercer, uma das grandes financiadoras da direita americana.
Em poucos anos, aqueles pequenos jantares viraram uma máquina política..
Mais de 100 milhões de dólares já foram destinados a projetos da Rockbridge desde 2019. E pelo menos parte desta rede opera com o chamado “dark money” – dinheiro que financia influência política sem que os doadores sejam divulgados.
Isso, que é proibido no Brasil, é permitido pela legislação americana – e torna muito mais difícil saber quem está bancando esse projeto.
E o objetivo não é simplesmente doar dinheiro para candidatos.
Rockbridge quer “infraestrutura política permanente”
Documentos da própria Rockbridge dizem que a ambição é construir uma infraestrutura política permanente e remodelar o ecossistema da direita americana.
A rede controla organizações de mobilização de votos, mídia investigativa e até uma rede de igrejas com 160 mil membros recrutados para a política.
Duas vezes por ano, seus integrantes se reúnem a portas fechadas em hotéis de luxo. Os membros pagam entre 100 mil e 1 milhão de dólares por ano para participar. Dentro dessas reuniões sigilosas circulam algumas das pessoas mais poderosas da política e dos negócios americanos.
Leia também: Lindbergh pede investigação de Flávio Bolsonaro no STF por verba externa em eleição
Tão poderosas que agora vêm estendendo fronteiras. Em setembro de 2025, a Rockbridge inaugurou um braço na Coreia do Sul. E já planeja expansão para Japão, Taiwan e Oriente Médio. E o Brasil?
O Amado Mundo revelou que Pedro Sang, que se apresenta como “Pedro da Rockbridge”, está operando de dentro do comitê de campanha de Flávio em São Paulo. Ele montou o QG da campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Uma segunda reportagem mostrou um documento com o logo da campanha de Flávio oferecendo à Rockbridge uma cadeia de fornecimento de terras raras do Brasil para os EUA.
Essas suspeitas podem complicar a campanha de Flávio, já que a legislação brasileira proíbe doações de entidades e governos estrangeiros a campanhas brasileiras.
A campanha de Flávio ainda não se pronunciou – e várias perguntas seguem no ar.
Entre elas: Ela botou dinheiro na campanha do Flávio Bolsonaro?
E o que essa rede criada para transformar dinheiro privado em influência política nos Estados Unidos pretende construir dentro da política brasileira?
A gente pode não saber muito da Rockbridge, mas já sabemos que jantar de graça não faz parte do seu cardápio.
Receba no WhatsApp as melhores reportagens, programas e documentários do canal Amado Mundo. Inscreva-se!