Dentro do PL, tentativa é de minimizar fala de Valdemar sobre ‘despreparo’ de Flávio
Declaração do presidente do PL, porém, ocorre em momento frágil da candidatura de Flávio Bolsonaro, e soma-se a outras de aliados diversos

A postura dentro do PL foi de minimizar a fala do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, de que o pré-candidato da sigla à Presidência, Flávio Bolsonaro, não estaria, ao ser escolhido, preparado para concorrer à Presidência. A avaliação é de que a frase “não estava preparado” não se referia a um despreparo efetivo de Flávio para o cargo, mas sim a uma forma de Valdemar dizer que, o filho “01” teria sido pego de surpresa ao assumir a candidatura porque o pré-candidato original do PL era Jair Bolsonaro – mesmo condenado há muitos meses e preso.
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Segundo o presidente do partido, Flávio não tinha feito uma estrutura, um trabalho, “um projeto nacional” antes de ser candidato. Apesar de a avaliação de dentro do PL ser de que foi um “modo de falar” de Valdemar, a declaração do dirigente causou impacto por ser um constrangimento em um momento já cambaleante da candidatura do filho 01 de Bolsonaro.
Antes de Valdemar, outros aliados de Bolsonaro já protagonizaram outros “sincericídios” em relação à campanha do filho do presidente.
Presidente do PL entregou visitas de Flávio a Vorcaro
Valdemar tentou defender, em maio deste ano, Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master, após o vazamento dos áudios em que o senador aparece pedindo milhões para Daniel Vorcaro, mas acabou revelando que Flávio fez visitas ao ex-banqueiro.
Em entrevista à GloboNews, Valdemar revelou que Flávio visitou Daniel Vorcaro para “cobrar o restante do dinheiro” destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro.
A declaração, à época, contradizia a versão oficial apresentada pelo senador, que alegava ter ido à residência do ex-banqueiro apenas para “colocar um ponto final” na parceria comercial entre os dois.
Michelle diz que foi humilhada e apunhalada por Flávio
Outra importante figura do clã bolsonarista, Michelle Bolsonaro, foi duríssima sobre a relação com Flávio. Ela declarou, em junho, em vídeo publicado em suas redes sociais e que caiu como uma bomba na pré-campanha do enteado, ter sido apunhalada, desrespeitada e humilhada pelo enteado. Valdemar admitiu o atrito entre os dois e diz que trabalha para reconciliá-los até a convenção partidária deste sábado (25/7).
O senador chegou a ler, em uma live, uma carta do pai na qual ele reclamava de boicote, sem citar a madrasta.
Bolsonaro fez a escolha ‘debilitado emocionalmente’
O pastor Silas Malafaia criticou a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como possível candidato do bolsonarismo à Presidência da República em 2026 logo após o anúncio, em dezembro. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e uma das principais lideranças evangélicas do país, Malafaia defendeu uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice.
Em entrevista ao portal Metrópoles, o pastor afirmou que Jair Bolsonaro estava “debilitado emocionalmente” quando tomou a decisão de apoiar o filho. No entanto, ele voltou atrás no decorrer da pré-campanha e afirmou que apoiará o senador.
Flávio “é do game”
Ex-ministro de Bolsonaro, Ricardo Salles disse, em entrevista ao UOL e à Folha de S.Paulo nessa segunda-feira (20/7), que Flávio era “do game”, por dialogar com o centrão. Ele afirmou que Eduardo seria um candidato melhor, por ter postura mais firme e ser mais combativo. “A Michelle, então, melhor ainda”, disse.
O acirramento do atrito entre Salles e o campo político do ex-presidente ocorreu em maio deste ano. Salles chegou a acusar Valdemar de corrupção e, nas redes sociais, fez críticas a uma suposta subserviência do ex-deputado ao “centrão fisiológico”.
Damares não participará de plano de governo de Flávio
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) hesitou em confirmar presença num evento de Flávio Bolsonaro com mulheres conservadoras em junho. Respondeu apenas “Oremos” quando questionada. Foi duramente atacada por aliados do colega senador. Ela acabou não indo.
Oswaldo Eustáquio (blogueiro foragido na Espanha, pré-candidato a deputado pelo PL-PR), em retaliação, acusou Damares de ser “amante de pastor” (descrevendo detalhes do que seria o relacionamento) e “feminista”, além de levantar suspeitas sobre um assessor jurídico da senadora. A bancada feminina do Senado reagiu com moção de repúdio contra Eustáquio.
Depois, há pouco mais de uma semana, Damares anunciou que não participaria mais da elaboração do plano de governo de Flávio Bolsonaro.