Entrevista

Delúbio Soares anuncia pré-candidatura e diz que condenação no Mensalão foi por ‘fake news’

Em entrevista ao Matinal, ex-tesoureiro do PT defende sua trajetória e diz que disputa agora é 'nas urnas'

09/04/2026 às 17:50 · Atualizado há 6 meses
Delúbio Soares, em foto de 2008 (Foto Agência Senado)

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que pretende disputar as eleições de 2026 como deputado federal por Goiás e disse que foi suas condenações nos escândalos do Mensalão, em 2012, e depois, da Lava Jato, em 2017, foram feitas com base em “fake news”.

Em entrevista nesta quinta-feira (9) ao Matinal, do Amado Mundo, o petista defendeu sua trajetória, negou irregularidades e sustentou que sua volta à política faz parte de uma disputa que agora deve ser decidida nas urnas.

Ao longo da conversa, Delúbio afirmou ter resolvido pendências judiciais, disse que nunca deixou a política e defendeu que a reabilitação de figuras atingidas por investigações deve ser debatida com o eleitorado. Informou ainda que permaneceu ligado ao Partido dos Trabalhadores ao longo dos anos e que sua intenção agora é contribuir para o fortalecimento da base governista no Congresso, especialmente em um cenário eleitoral que deve ser apertado em 2026.

Durante a entrevista, o ex-tesoureiro também rejeitou a leitura de que o retorno de figuras históricas do partido, como José Dirceu e João Paulo Cunha, representa um movimento de retrocesso. Segundo ele, a disputa deve ser feita no campo político, com debate público e avaliação nas urnas. Ao mesmo tempo, buscou relativizar o impacto de escândalos de corrupção na imagem do PT, atribuindo parte das acusações a distorções dos fatos.

Delúbio Soares em entrevista ao Matinal (Reprodução)

Leia abaixo os principais trechos da entrevista ou veja em vídeo ao final do texto.

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Por que o senhor decidiu voltar para a política?

Eu nunca saí da política. Comecei a militar na política em 1975, na Comissão da Anistia. Dos 70 anos de vida que eu tenho, 40 dediquei à política nacional. A denúncia que levou ao Mensalão, que é a denúncia do deputado Roberto Jefferson, é uma denúncia sem pé nem cabeça, que falava que Pedro Soares pagava 30 mil reais para que os candidatos votassem com o governo. Deputados do PT, deputados da base aliada. E isso foi desmentido. Mas essa notícia impactou a sociedade, impactou o PT, impactou o Judiciário. O STF, que estava impactado por aquilo que a imprensa dizia, nos condenou. E condenou toda a cúpula do PT. E a cúpula dos aliados do PT à época. Genoíno, José Dirceu, João Paulo Cunha, Paulo Rocha, entre outros. Nós sofremos um impacto judiciário muito grande. Naquela época não tinha esse nome, mas hoje chamaria lawfare [guerra jurídica]. Nós provamos que aquela prisão e que o Mensalão tinham sido uma farsa. Por que voltei a ser candidato? Foram 144 processos criminais, eleitorais, tributários e cíveis, e consegui resolver todos os meus problemas jurídicos, estou colocando meu nome à disposição do partido da nossa federação para em julho tomar a decisão e ser candidato. Sou pré-candidato e espero ser aprovado [pela federação] e ser candidato a deputado federal pelo estado de Goiás.

Como parte do eleitorado associa o PT e o Lula a escândalos de corrupção, sua volta pode prejudicar o Lula?

O presidente Lula foi condenado injustamente e provou a sua inocência. Muitos falam que ele está “descondenado”. Pode falar isso de mim também, que estou “descondenado”. O que acontece? Quando há um processo de lawfare baseado em “fake news”, como foi o Mensalão, nós fomos julgados por manchete de jornal, não tinha uma prova. O que aconteceu no passado, tanto no Mensalão como na Lava Jato, tem que ser esclarecido. E só será esclarecido se as pessoas que foram atingidas, que foram condenadas, sejam reabilitadas. Nós temos que mostrar à sociedade que aquilo que aconteceu conosco tudo lá foi baseado em “fake news”. Não podemos ficar quietos, temos que mostrar à sociedade, e quem vai decidir se estamos certos ou errados é o povo brasileiro. O debate é político. Nós fomos condenados na política, e é a política que se resolve o assunto. Nós temos que debater. 

O senhor conversou com o presidente Lula antes de tomar essa decisão de se candidatar?

O presidente Lula não tem que ficar falando que fulano é candidato, ciclano é candidato. É muito importante que o presidente Lula tenha uma bancada ampliada no próximo mandato, uma bancada progressista superior à que tem hoje. É fundamental que mais pessoas contribuam para que o presidente Lula tenha uma bancada significativa na próxima gestão. Nós somos candidatos nesse momento para defender as políticas, o programa que nós elaboramos desde o começo, de uma sociedade democrática, de uma sociedade igualitária. 

A bancada do PT na Câmara é uma das mais velhas da Câmara hoje. O PT está com dificuldade de se conectar com o jovem. Qual é a saída, Delúbio, para isso? É uma volta a um passado do PT, ao invés de uma renovação do PT? Como o senhor vê esse dilema de conseguir resolver essa dificuldade de se aproximar dos jovens hoje com a idade dessa bancada e esse retorno de nomes já antigos do partido?

Diria a você que a nossa bancada no Congresso Nacional é bastante experiente. Outro dia eu filiei 20 pessoas jovens no PT aqui de Goiás, vou filiar mais 20 pessoas agora, filiando gente do interior, todas pessoas jovens, que acreditam na nossa política, acreditam na integração. Nós temos que passar o bastão para a juventude brasileira. Mas agora, o que nós temos que fazer? Dar oportunidade aos jovens de disputar na política, porque hoje a juventude, os filhos das classes trabalhadoras, não têm a mesma oportunidade que têm os filhos dos milionários. É necessário ampliar para que cada jovem do Brasil tenha a mesma oportunidade. Isso é política. Por enquanto nós estamos discutindo, debatendo com a sociedade, tenho andado pelo estado, e a maioria do público que me acompanha é um público jovem. Então, a juventude terá muita oportunidade, e nós temos que dar as oportunidades de igualdade. O Partido dos Trabalhadores tem que conquistar a sociedade para uma renovação estrutural, não só geracional.

Não é muito arriscado, logo em 2026, quando provavelmente vai ser uma vírgula que vai fazer ou Lula ou Flávio ganhar, logo agora o PT tentar fazer essa discussão?

Você já perguntou isso ao candidato Flávio Bolsonaro, a situação do pai dele? Está preso! O pai dele foi condenado. Os amigos dele foram condenados. Ele é defensor de milicianos. Deu títulos aos milicianos. Não se faz essa pergunta para ele. A imprensa só faz essa pergunta ao PT. Ao final da CPI do INSS, foi perguntado ao presidente da CPI se havia prova contra o Lulinha. “Não”. Mas usa o nome do Lulinha para tudo quanto é confusão. A roubalheira do INSS começou no governo Temer, ampliou no governo Bolsonaro e foi esclarecida no governo Lula. Esses escândalos são fabricados para prejudicar.

A política precisa de pacificação. Nós vamos gastar 10 a 15 anos. Da experiência que eu tenho, de 40 anos de política nacional, é que nós vamos gastar um tempo para pacificar o país. Nós precisamos pacificar o país. E não importa o que os adversários fiquem falando de nós. Nós temos que colocar a nossa versão. A versão que nós queremos é o progresso do país, a versão que nós queremos é transformar a educação brasileira, a versão que nós temos é que o SUS seja fortalecido, que nenhuma pessoa morra na porta do hospital, que nenhuma pessoa passe fome. A gente pensa no Brasil daqui a 30 anos e nós temos que mudar a malha energética, é isso que nós temos que colocar para a sociedade trabalhar, provar as coisas.

Assista à íntegra da entrevista com Delúbio Soares no Matinal desta quinta-feira, 9:

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