Entrevista

Decisão de Moraes reabilita Michelle no jogo eleitoral, analisa cientista político

Cientista político e jornalista de dados, Fábio Vasconcelos também comentou as divergências da atuação da Justiça na prisão de Bolsonaro com a do presidente Lula

14/07/2026 às 11:39 · Atualizado há 3 meses
Michelle Bolsonaro em vídeo publicado no dia 24 de junho
Michelle Bolsonaro em vídeo publicado no dia 24 de junho / Foto: Reprodução

Durante a edição do programa Matinal desta terça-feira (14/7), do Amado Mundo, o cientista político e jornalista Fábio Vasconcelos analisou as recentes movimentações políticas e jurídicas envolvendo a família Bolsonaro e destacou as consequências da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de suspender as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias.

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Segundo Vasconcelos, o principal e imediato efeito político da decisão do STF é a “reabilitação” de Michelle Bolsonaro no tabuleiro eleitoral. Na visão dele, com a comunicação entre o candidato e o ex-presidente interrompida, a ex-primeira-dama — que recentemente havia divulgado um vídeo com críticas ao enteado — volta a ocupar uma posição estratégica no jogo político. 

O analista explica que, ao isolar Flávio de seu principal cabo eleitoral, a Justiça acaba forçando o candidato, o PL e as lideranças da direita a negociarem diretamente com Michelle, que se torna a principal via de intermediação com o patriarca. 

“Na medida em que o Supremo diz ‘olha, essa comunicação está interrompida pelos próximos 90 dias’, Alexandre de Moraes reabilita a ex-primeira-dama, a despeito ou a desgosto do ex-presidente e do próprio Flávio Bolsonaro”, disse.

Diferenças nas condições da prisão de Lula e de Bolsonaro

Vasconcelos também abordou as comparações que foram feitas entre a carta de Jair Bolsonaro e os bilhetes enviados por Luiz Inácio Lula da Silva da prisão, pedindo votos para Fernando Haddad. Para o jornalista, os casos não são equivalentes. 

Ele destacou que, na época, o processo de Lula ainda não havia transitado em julgado, e o petista não estava judicialmente impedido de se comunicar, com suas cartas mediadas pelo sistema prisional. Já Bolsonaro é um ex-presidente com condenação definitiva, em prisão domiciliar, e já está sob medidas cautelares que restringem comunicações externas. 

Além disso, o cientista político pontua que o momento eleitoral das cartas é distinto. Segundo ele, enquanto Lula declarou apoio durante a campanha oficial, a atitude de Flávio e Jair Bolsonaro ocorre na pré-campanha, o que pode sugerir uma tentativa de antecipação de campanha eleitoral — situação proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Pré-campanha de Flávio na defensiva 

O analista descreveu a pré-campanha do senador pelo PL como uma campanha confusa e com enorme capacidade de gerar fatos negativos contra si mesma. O especialista ressaltou que a sucessão de crises, como os áudios vazados dele em contato com Daniel Vorcaro e o próprio vídeo de Michelle, empurrou a campanha para uma posição puramente defensiva

De acordo com Vasconcelos, em vez de usar seu tempo para construir uma imagem de moderação e dialogar com outros segmentos da sociedade, Flávio se vê obrigado a falar apenas para a sua base “hardcore” de eleitores. 

“O Flávio Bolsonaro coloca a campanha numa situação muito difícil, porque, em vez de ocupar espaço para tentar dialogar com outros segmentos do eleitorado e criar aquela história de moderação, ele precisa usar o espaço para se defender”, conclui. 

Assista ao Matinal desta terça-feira (14/7) na íntegra:

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