Análise

Por que os debates entre candidatos a presidente perderam a importância

Estratégias de campanha, recursos da internet e mudanças nas regras esvaziaram os encontros promovidos pelas redes de televisão

por Eumano Silva
02/10/2026 às 11:11 · Atualizado há 3 dias
Os púlpitos vazios de Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Band, em agosto (Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP)
Os púlpitos vazios de Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Band, em agosto (Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP)

Já não se fazem mais debates como antigamente. Existe um certo saudosismo no Brasil em relação às primeiras eleições presidenciais, quando quase uma dezena de candidatos participavam de acirradas discussões ao vivo nas TVs. Mesmo as gerações mais novas hoje se divertem com os embates de 1989 entre Leonel Brizola e Paulo Maluf ou as provocações entre Lula e Ronaldo Caiado, que hoje de novo são adversários na corrida ao Planalto.

O modelo começou a perder força logo em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso deixou de comparecer a alguns encontros por estratégia eleitoral. Essa prática se repetiu com diferentes candidatos em disputas posteriores, sendo replicada em eleições para governos estaduais e prefeituras.

Debate na era dos cortes

Com a chegada da internet, os candidatos ganharam outras formas de aparecer para os eleitores, e os debates ficaram menos importantes. O estilo dos políticos também mudou: em vez de ironias e confronto de ideias, prevalecem ataques agressivos e pouca discussão sobre planos de governo. Muitos utilizam as intervenções apenas para usar cortes nas redes sociais.

Nessa nova fase, os debates perderam o glamour das primeiras eleições. As mudanças nas regras, com a limitação do número de participantes, também tiraram um pouco do espírito radicalmente democrático das primeiras edições. O bom humor e a retórica foram substituídos, em grande parte, pela esperteza dos marqueteiros.

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Assim, os debates se tornaram menos atraentes e decisivos. Esse desgaste chega ao ponto máximo com as recentes decisões judiciais, que passam a impressão de que o jogo tem cartas marcadas.

Com tantas mexidas, nem a TV Globo soube como administrar o confronto de interesses e cancelou o debate da noite desta quinta-feira, 1º/10. Assim, os brasileiros ficaram sem a oportunidade de ver o confronto dos candidatos e a emissora perdeu importância no debate eleitoral. Para os candidatos, os encontros ao vivo se tornaram, de certa forma, apenas mais um detalhe em suas estratégias de campanha.

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